Bruno Tadeu/ Estadão
Bruno Tadeu/ Estadão

Torcida em Manaus mostra alegria e releva calor e atraso de treino da seleção

'Se nós aqui de Manaus não aguentamos o nosso calor, imagine eles', contou um torcedor

Bruno Tadeu, especial para a AE, Estadão Conteúdo

02 Setembro 2017 | 20h02

O treinamento da seleção brasileira em Manaus, que seria às 16 horas locais (17 horas de Brasília) deste sábado, na Arena Amazônia, foi adiado em duas horas. Boa parte do público sequer tomou conhecimento da mudança, mas a empolgação para ver Neymar e companhia foi maior que o calor de 35ºC registrado na tarde manauara. Teve gente que passou a noite nos arredores do hotel onde a seleção está hospedada e emendou caminho direto ao estádio nesta manhã.

"Eu e meus amigos chegamos no hotel umas 20 horas (de sexta-feira) e passamos a noite lá, mas infelizmente não conseguimos contato com o Neymar e os outros jogadores. Depois inteiramos dinheiro para pagar um Uber até a Arena", contou o estudante Eder Emanuel, de 16 anos, que chegou no estádio às 11h40, mas achou até melhor o adiamento. "Se nós aqui de Manaus não aguentamos o nosso calor, imagine eles (os jogadores)", avaliou.

Com exceção das cadeiras principais, destinadas à imprensa, todo o anel inferior da Arena Amazônia foi ocupado cerca de duas horas antes da atividade. Ao som de Boi Bumbá, a torcida manauara mostrou animação minutos antes do contato com a seleção brasileira comandada pelo técnico Tite.

VOLUNTÁRIO

Durante o treino, uma figura desconhecida do público geral, mas vencedor dentro do gramado do estádio atuava como voluntário, orientando torcedores no acesso às cadeiras. O zagueiro Elton, de 30 anos, foi campeão amazonense deste ano pelo Manaus FC, mas foi dispensado e está sem clube atualmente.

Além de apreciar a seleção brasileira de perto, o atleta topou a missão por razões acadêmicas. "Vim pegar essas horas (complementares) para a faculdade", revelou.

Desde 2007, o futebol amazonense sequer tem representantes na Série B do Campeonato Brasileiro. Atualmente os clubes do Estado aproveitam apenas as duas vagas na quarta divisão nacional (Série D), onde nunca chegaram nem mesmo nas quartas de final da competição. A falta de expressão até mesmo no Amazonas explica o anonimato de Elton diante de uma Arena Amazônia lotada.

Elton, que é natural de Porto Velho, capital de Rondônia, revelou que vive de futebol desde os 16 anos. Tem um filho de 10 e há 20 dias começou a cursar Educação Física em Manaus. Ele aguarda propostas para disputar a Série B do Estadual, em novembro. "Se Deus quiser aparece uma oferta", desejou.

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