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O Palmeiras voltou a ser o Palmeiras de sempre, no que a expressão carrega de passionalismo, impaciência, decisões intempestivas. Nos últimos tempos, parecia ter empreendido caminho sem volta pela modernidade, com estádio lindo, campanha de sócio torcedor brilhante, patrocínios arrebatadores, contratações a rodo.

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Antero Greco

11 Março 2016 | 03h00

Fumaça. Na essência, ainda se comporta como a maioria dos clubes. Nos primeiros indícios de crise, a direção recorre ao recurso tradicional da dispensa do técnico, como se nesse personagem se concentrassem os erros. Joga para a torcida, livra a própria cara, derruba discursos repletos de lugares-comuns, em que sobram termos como planejamento, confiança, longo prazo. Palavras fúteis.

A demissão de Marcelo Oliveira, após uma dezena de partidas oficiais, revela que os cartolas palestrinos são mais do mesmo. O gestor Alexandre Mattos, que semana sim, semana não, apresenta meia dúzia de “reforços”, tratou de mostrar serviço e garantir-se ao dispensar o treinador de seus sonhos. Assim como fora ágil para servir de avalista para Marcelo, foi rápido ao aceitar “o pedido de demissão”.

O presidente Paulo Nobre tem discurso polido, postura elegante, mostra-se eficiente na arte de falar, falar e dizer pouco – se lhe convém – e costuma repetir que dá respaldo aos [ITALIC]professores[/ITALIC] de plantão. No entanto, na gestão dele já foram defenestrados Gilson Kleina, Oswaldo de Oliveira, Ricardo Gareca, Dorival Júnior e agora Marcelo Oliveira, se não escapou algum. Por quê?

Ok, a vida é contraditória, dinâmica etc. e tal. O futebol é feito de resultados e as coisas manjadas se difundem pelos séculos e séculos, amém. Mas como botar fé na conversa de trabalho de longo prazo se numa sucessão de percalços a cabeça do treinador é entregue de bandeja? Nobre age como tantos antecessores – e nesse aspecto se iguala ao tipo de dirigente que se imaginava superado. Mas... o Palestra é Palestra e nem jovens bem-intencionados resistem à pressão de cornetas. Cedem. 

Marcelo Oliveira decepcionou em alguns momentos. Verdade que a equipe oscila desde a fase final do Brasileiro de 2015, e isso gera angústia e incerteza. Mesmo com dúzias de atletas à disposição – fora os frequentadores habituais da enfermaria –, vacilou com o estilo pouco refinado e o repertório limitado da equipe. O Palmeiras entrega aquém da capacidade que se imagina possuir. 

Justiça se faça a Marcelo: neste início de 2016, andou a testar alternativas táticas e mexeu na escalação. Revelou disposição para mudanças, deu espaço para quem andava em baixa – Allione é exemplo marcante, ao sair da reserva para ser opção no meio. Vislumbrava-se inquietação, ainda sem a contrapartida da eficiência. Talvez Marcelo tenha errado ao não se impor a um grupo homogêneo, no qual todos se sentiam no direito de reivindicar lugar de titular.

No fim das contas, ele virou a enésima vítima de trauma verde insuperável, aquele do fantasma da decepção, da alma penada da frustração, da mula sem cabeça da carência de títulos. Na mesma vala comum foram jogados Luxemburgo, Muricy, Felipão. Impressionante como o Palmeiras tritura técnicos, sejam novatos, sejam campeões do mundo. 

Cuca é o querido da vez? Tem qualidades e defeitos como tantos colegas. Mas deve chegar ciente de que o apoio lhe será dado até a página 15. O Palmeiras ainda não tem alguém com peito de bancar, de fato, pra valer, um projeto de longa duração. 

EMPATE DIGNO

O São Paulo foi para Buenos Aires cercado de desconfiança. A perspectiva era a de desastre diante do River Plate. Pois o time de Edgardo Bauza não só freou o atual campeão da Libertadores, como volta para casa com 1 a 1 que o mantém vivo na competição. Se a atuação não foi memorável, ao menos não foi o desastre temido. Ao contrário, ao ficar em vantagem, com gol de Ganso, teve período de superioridade aos donos da casa. Sentiu um pouco o golpe no empate, mas segurou o rojão na etapa final.

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