Um grande time

O Corinthians está perto de nova conquista nacional. E merece respeito por isso

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

12 Novembro 2017 | 04h00

Um grande time é aquele que tem elenco estrelado, conquista títulos, marca época, faz tremer adversários. O Corinthians do bi brasileiro de 1998/99 preenchia vários desses requisitos, a começar do fato de ter craques do quilate de Dida, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho, Luizão, Edilson – não por acaso um punhado deles também levantou o Mundial de clubes de 2000 e compôs o elenco da seleção que Felipão montou para o penta em 2002 na Copa na Ásia.

O Corinthians ainda alcançou a hegemonia nacional com formações boas, porém mais modestas, se comparadas àquelas do parágrafo anterior. Em 1990, por exemplo, o fora de série, o regente, o maestro da companhia foi Neto, sem desprezar a qualidade de Ronaldo, goleiro histórico, e outros coadjuvantes menos votados. Em 2005, Tevez roubou a cena. (Fora atuação extraordinária do STJD e a série de partidas que foram repetidas...)

Já em 2011, as referências eram jogadores eficientes e/ou experientes como Danilo, Paulinho, Alex, Emerson Sheik e até Adriano, com participação especial num jogo decisivo diante do Atlético-MG. Algo semelhante ocorreu em 2015, com holofotes dispersos em gente como Cássio, Gil, Ralf, Elias, Jadson, Renato Augusto, Vágner Love.

Agora, o Corinthians está a poucos passos do sétimo título de campeão brasileiro. Na trupe sob a batuta de Fábio Carille há remanescentes da aventura de dois anos atrás, como Cássio, Fágner, Jadson, Rodriguinho, Arana. Ou o filho pródigo Jô, garoto recém-saído da base na campanha de 2005, que rodou o País e o mundo antes de retornar ao Parque no início do ano.

No papel, não é grupo de encher os olhos, de fazer o torcedor suspirar, tampouco de dar contribuição significativa para a galeria de heróis alvinegros. É um bloco razoável, que se saiu melhor até do que as previsões mais otimistas elaboradas em janeiro.

No entanto, trata-se de injustiça ver esses moços com desdém ou medi-los de cima para baixo, como se formassem um bando de, vá lá, “esforçados”, maneira delicada para definir medíocres. Pois na prática têm demonstrado valor, dedicação, seriedade. Talvez mais transpiração do que inspiração. Porém, não se pode negar-lhes que desde janeiro atuam no limite – e vão bem.

Não é por acaso que atravessaram o primeiro turno imbatíveis e lideram a competição praticamente de cabo a rabo. Tal trajetória não se deve à vontade dos “deuses do futebol” ou figuras de linguagem desgastadas do gênero. Não se apele para o argumento surrado de “apito amigo”, que erros houve a favor e contra, como sempre, e como ocorre com todo mundo.

Não se credite a caminhada à fragilidade dos rivais. Isso seria simplista. O nível técnico é discutível, sem dúvida, e foi abordado neste espaço em outras ocasiões. O próprio Corinthians oscilou, como mostram os números no returno, com as 6 derrotas e 3 empates, compensados por 6 vitórias.

Na realidade atual do futebol que se joga no Brasil, o Corinthians cumpre o papel que lhe cabe com mais picardia e regularidade. Pode não ser um esquadrão, e aqui ficaríamos a debater por horas. Mas tem grandeza, e faltam poucas etapas até a festa final, que teve novo ensaio no 1 a 0 deste sábado sobre o Avaí, em Itaquera. Mesquinharia qualquer tentativa de diminuir-lhe o mérito.

SEM ÍDOLOS

Felipe Massa jura que desta vez deixa de fato da Fórmula 1, categoria em que o Brasil fica sem representante. Massa é gente boa, teve gabarito para manter-se tanto tempo em evidência. Assim como foi com Rubinho Barrichello. Nenhum dos dois infelizmente jamais teve o status de Fittipaldi, Piquet ou Senna, trio venerado no mundo todo. O mais chato é que não se vislumbra um gênio patrício nas pistas...

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