Victor R. Caivano/AP
Victor R. Caivano/AP

Um país sobre os ombros de Messi

Craque não repete na seleção as boas atuações do Barcelona e aumenta angústia dos argentinos

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 07h00

Messi não vem decidindo, a Argentina não consegue vencer nas Eliminatórias da América do Sul e a angústia com uma possível ausência da seleção na Copa, o que não acontece desde 1970, cresce entre os torcedores e futebolistas argentinos. 

Repousam nos ombros do craque do Barcelona a esperança de um país, para evitar um vexame esportivo e um prejuízo milionário, com ausência de patrocínios e premiações da Fifa.

Técnicos brasileiros apostam que Argentina vai à Copa do Mundo

Cálculos divulgados pelo jornal Clarín, um dos mais importantes da Argentina, dão conta de que a federação de futebol do país, a AFA, recebeu US$ 25 milhões pelo vice conquistado no Brasil em 2014. Para a Copa da Rússia, a premiação fora aumentada em 22%. Caso fique fora do Mundial, os prejuízos devem superar o montante de US$ 20 milhões, cerca de R$ 65 milhões. 

Após o empate sem gol com o Peru na rodada passada, penúltima do torneio, os principais jogadores foram blindados, entre eles Messi. Apenas o técnico Jorge Sampaoli encara o fuzilamento de perguntas dos repórteres. Com 25 pontos conquistados em 17 partidas, a Argentina ocupa a sexta colocação na tabela de classificação. Se permanecer nesta posição após a última rodada estará fora da Copa-2018.

A decisão será amanhã, contra o Equador, em Quito. No domingo, a seleção viajou para Guayaquil, no litoral equatoriano, onde finaliza sua preparação para a grande partida.

Diante deste cenário nebuloso e de incerteza, só resta aos argentinos a matemática, pois nem mesmo uma vitória sobre Equador garante o país diretamente no Mundial da Rússia. Para terminar entre os quatro primeiros colocados das Eliminatórias e carimbar a vaga direta ao Mundial, a Argentina não depende mais só de si. 

Teria de vencer o Equador e torcer por um dos seguintes resultados: derrota ou empate do Chile diante do Brasil; empate entre Peru e Colômbia; vitória do Peru sobre a Colômbia por uma diferença de gols inferior que a eventual vitória argentina. A Argentina pode ainda terminar as Eliminatórias na quinta colocação, o que a obrigaria a disputar uma a repescagem contra o campeão da Oceania, a Nova Zelândia. Para isso acontecer, basta vencer o Equador, sem se preocupar com outros resultados da rodada. Se não ganhar, volta a depender de rivais. 

O time de Messi não vence desde a 13.ª rodada, quando bateu o Chile por 1 a 0. Depois, perdeu para a Bolívia por 2 a 0, em La Paz, resultado que culminou com a demissão do então técnico Edgardo Bauza. Jorge Sampaoli assumiu o posto e a escassez de gols continuou: empate sem gol com o Uruguai, em Montevidéu; empate com a Venezuela por 1 a 1, em Buenos Aires; e outro empate por 0 a 0, desta vez diante do Peru. A Argentina tem o segundo pior ataque das Eliminatórias. Marcou apenas 16 gols, à frente apenas da Bolívia, com 14. O Brasil, melhor ataque, balançou as redes 38 vezes. 

O números são preocupantes para quem precisa vencer e marcar gols. Sampaoli testou duas alterações na equipe: o meio-campista Enzo Pérez e o atacante Salvio treinaram nas vagas de Banega e Gómez. “No pouco tempo de preparação que temos, buscamos criar relações entre os jogadores. Temos de evitar a anarquia no elenco, buscar mais relacionamento”, justificou o treinador.

A possibilidade de ficar fora da Copa do Mundo preocupa até mesmo ex-jogadores da Argentina. Mario Kempes, campeão mundial em 1978, refuta a tese de que os atuais jogadores do elenco não estejam rendendo o esperado por estarem pressionados. Parte dos torcedores e da imprensa argentina acredita que a pressão excessiva sobre Messi e os demais companheiros tem afetado o rendimento da equipe nas Eliminatórias. 

“Um Mundial sem a Argentina e sem Messi seria uma catástrofe. Agora dizer que o problema é psicológico? Não entendi. Se eles me dissessem que são caras que não têm experiência e que o chamam pela primeira vez na seleção, posso acreditar que estão assustados. Mas nessa situação, com esses jogadores, não há problema psicológico”, desabafou Kempes, em entrevista ao Diário Olé.

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Histórico da Argentina no Equador não é favorável

Situação dos argentinos nas Eliminatórias da América do Sul para a Copa do Mundo é delicada

O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 07h00

A situação da Argentina nas Eliminatórias da América do Sul é delicada. Na sexta colocação, com 25 pontos, o país estaria hoje fora da Copa da Rússia. Para aumentar o drama na última rodada, o histórico de confrontos em solo equatoriano não é nada favorável para os argentinos. Nos últimos cinco jogos contra o Equador, a Argentina foi derrotada três vezes, venceu apenas uma e empatou em outra oportunidade. 

+ Um país sobre os ombros de Messi

Nas Eliminatórias para a Copa da França (1998), o Equador bateu o time comandado por Daniel Passarella por 2 a 0, no mesmo palco do jogo amanhã. Em 2001, visando a Copa do Japão e da Coreia do Sul, a seleção de Marcelo Bielsa fez 2 a 0 sobre o Equador, em Quito, com gols de Verón e Crespo.  Mas em 2005, nas Eliminatórias para o Mundial da Alemanha, outra vitória equatoriana: 2 a 0 sobre a Argentina comandada por José Pekerman. 

Com Diego Maradona no comando da equipe, os argentinos perderam novamente em solo equatoriano: 2 a 0, com gols de Ayoví e Palácios, em partida pelas Eliminatórias para a Copa da África do Sul, de 2010.  Por fim, no último encontro para o Mundial do Brasil, em 2014, a Argentina de Alejandro Sabella ficou no empate por 1 a 1 na capital equatoriana. 

Oitavo colocado com apenas 20 pontos, o Equador não tem mais chance de conquistar uma vaga para a Copa do Mundo, mas promete endurecer o jogo contra os argentinos. “Vamos nos despedir com orgulho e tentar ganhar da Argentina em nosso país. O duelo será complicada, temos consciência disso, mas vamos dar alegria à nossa torcida na despedida”, disse o técnico Jorge Célico. 

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