Raillen Martins/ Agência Pipa
Raillen Martins/ Agência Pipa

Sonho do acesso para a Série C do Brasileiro faz rivais atravessarem o país

Times são obrigados a suportar milhares de quilômetros a fim de disputar seus jogos mais importantes

O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2017 | 17h00

O sonho do acesso ao Campeonato Brasileiro da Série C passa pela necessidade de percorrer, e suportar, milhares de quilômetros de distância dentro do País. Os times que disputam a Série D são obrigados, em certo momento do torneio, a fazer longos e cansativos deslocamentos, como ocorre agora nos confrontos de volta das quartas de final. A maratona despende de muitas horas de viagem, mudanças bruscas de temperatura de um lugar para outro e até diferença de fuso.

Somente as duas primeiras fases da Série D tiveram jogos regionais. Agora, o que se vê são partidas nas quais os clubes têm como “obstáculo”, além do rival, o desgaste provocado pelas viagens, algumas delas entre pontos extremos do Brasil.

O gaúcho São José, que pode disputar a Série C pela quinta vez, vai até o Acre para enfrentar hoje o Atlético local. A viagem também é longa para o Maranhão, time que terá de deixar o calor nordestino para encarar o frio do interior do Paraná. O adversário, amanhã, é o Operário de Ponta Grossa. 

Nesse contexto, o outro duelo das quartas é praticamente entre vizinhos, afinal a distância entre Natal e Juazeiro, na Bahia, é de “apenas’’ mil quilômetros.

Outro time potiguar, o Globo, já garantiu o acesso. Foi na sexta-feira, ao devolver em casa, em Ceará-Mirim, o 1 a 0 que havia levado URT, de Patos de Minas, e ganhar nos pênaltis por 3 a 2. Distância entre as cidades das duas equipes: 2.500 quilômetros.

Do Sul ao Norte

O percurso na Série D normalmente é longo e a logística precisou ser pensada com antecedência. Como a CBF banca o translado, as equipes se deslocam de avião, mas às vezes com parte do percurso realizado de ônibus. 

O São José-RS, chamado carinhosamente de Zezinho, fez a viagem mais cansativa. A delegação saiu do Sul do Brasil exatamente para o outro extremo, no Norte, até Rio Branco, onde enfrentará o Atlético. São mais de 4 mil quilômetros de distância. Por terra, esse percurso seria realizado em 55 horas.

No entanto, o time gaúcho fez o caminho de avião, com escalas em Brasília e Porto Velho, capital de Rondônia, após sua saída de Porto Alegre. A viagem é cotada para ser realizada em oito horas, mas, com as esperas nos aeroportos, costuma durar até 12 horas. A equipe do São José saiu às 6 horas de sexta e só chegou em Rio Branco, na capital do Acre, depois das 16 horas. 

O time local passou pelo mesmo sofrimento na semana passada, quando foi do Acre até o Rio Grande do Sul. Uma cansativa viagem que durou 13 horas. A delegação saiu na madrugada (3h) da quinta e chegou aproximadamente às 18h em Porto Alegre - há fuso de duas horas entre os dois Estados. Houve escalas em Brasília e Rio de Janeiro.

Mas valeu a pena para o campeão do Acre. O Atlético conquistou importante vantagem ao vencer o rival do Sul por 1 a 0.

Com isso, joga pelo empate para carimbar o acesso à Série C dentro da Arena da Floresta. Os gaúchos vão enfrentar temperatura estimada de 35.º C no jogo - em casa, a temperatura seria de 15.º C, como foi na ida.

A viagem do Maranhão para o seu jogo mais importante no ano também não foi fácil. O time saiu dos 38.º C de São Luis (MA) para encarar o frio de Ponta Grossa (PR), em torno de 12.º C, e três mil quilômetros de distância. O adversário é o Operário, que tem despontado como uma força do interior do Estado.

O Maranhão pôde ‘conhecer’ várias cidades pelo caminho. Na sexta, a delegação saiu de São Luís, passou por Brasília e Curitiba, antes de terminar a viagem, de ônibus, até Ponta Grossa, distante 120 quilômetros, percorridos em 1h30. O desafio em campo para o Maranhão também é grande. O time perdeu em casa por 3 a 1 e precisa vencer por três gols de diferença para festejar seu acesso.

Dependendo dos times que passar à semifinal, novas maratonas vão valorizar ainda mais o acesso.

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