Uma dura crítica a 2017

Brasileirão teve baixo nível técnico, gestão ruim dos clubes e arbitragem horrorosa

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2017 | 04h00

O Campeonato Brasileiro chega ao fim e com ele há uma lista de cobranças e constatações que devem ser pontuadas após uma das piores temporadas do futebol nacional. Falhamos em diversos setores ao longo das 38 rodadas e dos seus 380 jogos. Os mais castigados foram os rebaixados Atlético-GO, Ponte Preta, Avaí e Coritiba. Fracassaram em campo e na gestão, pecaram em grupo, mas também individualmente. Erram tudo.

Acima deles, aqueles que beiraram o descenso e se salvaram no último ato da competição. Refiro-me a Vitória e Sport, dois nordestinos que devem repensar 2017. Se salvaram na bacia das almas e isso é preciso levar em conta para a temporada 2018. Elencos fracos, jogadores sem comprometimento e trocas de treinadores levaram estes times, e outros, ao fracasso.

Os grandes também merecem puxões de orelha. Exceto pelo Corinthians, o campeão, e pelo Grêmio, que se valeu de times mistos e reservas no Nacional para ganhar a Libertadores, os demais tiveram atuações pífias e confusas. Talvez o pior tenha sido o Palmeiras, ironicamente o segundo colocado. Foi vice, mas poderia ter acabado em posição inferior – a colocação do Palmeiras é a maior prova de que o Brasileirão teve nível técnico baixo.

O Palmeiras encerra sua participação com surra de 3 a 0 diante do Atlético-PR. O badalado elenco não deu liga, Cuca “desaprendeu” e os jogadores engrossaram na hora de decidir – sem mencionar os problemas de vestiário.

Santos e São Paulo são outros paulistas que fizeram seu torcedor sofrer, mesmo a despeito de a equipe da Vila se segurar na terceira posição e o rival do Morumbi escapar da degola em ano em que assustou seus seguidores. O Santos lamentou a “traição” de seu melhor jogador, Lucas Lima, que se entregou e preferiu pular fora antes do fim para se acertar com o Palmeiras, e de decisões equivocadas da diretoria.

Da mesma forma, o São Paulo pecou durante toda a temporada, com caminhos tomados que se verificaram equivocados, como a contratação de Ceni e a venda de atletas no meio do ano. Foi um time frágil e incompetente. Quem o salvou foi sua torcida, magnífica na disposição de apoiar. Por pouco ainda não vai à Libertadores. Não merecia.

Vasco e Flamengo conseguiram reverter situações péssimas, de bronca da torcida por causa de futebol pequeno, para não dizer horroroso, para conseguir vagas na Libertadores. O rubro-negro ainda tem chance de erguer taça contra o Independiente, em disputa da Sul-Americana. Poderia ter sido com menos sofrimento, sem Muralha. Não foi. O elenco deve uma volta olímpica.

O Vasco fez o que fez, inclusive nas eleições do clube, e ainda conseguiu se garantir na principal competição sul-americana do ano que vem, conforme prometeu seu presidente, Eurico Miranda. Não ensinou nada para ninguém com sua administração e se valeu neste 2017 da categoria de alguns poucos bons jogadores. Só.

A grande vencedora foi a Chapecoense, não tenho dúvidas disso. O time se reconstruiu em um ano depois do trágico acidente do seu avião, que matou 71 pessoas. Ganhou simbolicamente o título do returno, permaneceu dez rodadas sem perder e conseguiu se colocar entre os classificados para a Libertadores de 2018. Merece o reconhecimento por tudo o que sofreu no ano.

ARBITRAGEM

Não tem como avaliar o Campeonato Brasileiro sem apontar o péssimo trabalho da arbitragem. Se tivesse de destacar o que de pior ocorreu na disputa entre nível técnico, gestão de futebol e trabalho da arbitragem, não hesitaria em escolher a última como o grande fracasso do futebol brasileiro em 2o17. Vimos árbitros ruins, bandeiras confusos e assistentes posicionados atrás dos gols totalmente inúteis.

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