Vampeta devolve fé ao Corinthians

Uma boa parte da regularidade que o Corinthians alcançou no torneio Rio-Paulo deve-se, principalmente, ao volante Vampeta. Desde que ele reassumiu a camisa número 5 alvinegra, após passagens mal-sucedidas pela Inter de Milão, Paris Saint Germain e Flamengo, o jovem time de Carlos Alberto Parreira se libertou de uma defeito bem característico em quase todas as equipes inexperientes: a falta de confiança. Com a chegada de Vampeta, há dois meses, jogadores com pouca história no do clube, como Leandro e Deivid, enfim conseguiram descobrir o caminho do sucesso. O que fez Vampeta para deixar os seus companheiros tão à vontade de um momento para outro? "Nada de mais, apenas conversamos bastante", responde o próprio Vampeta. "Hoje eles sabem que não é difícil agradar a torcida do Corinthians. Basta correr, lutar, se esforçar". Se dentro de campo Vampeta ainda não recuperou o futebol brilhante do triênio 98/99/2000, fora dele se transformou no grande líder da equipe. Vampeta se impôs naturalmente, à custa de muita conversa e simpatia. Seus exemplos de amor ao Corinthians também tiveram um peso significativo nessa sua nova postura de líder. Vampeta jamais escondeu o seu amor ao clube. Nesta semana ainda surpreendeu ao afirmar que não jogaria no Palmeiras - arquiinimigo do Corinthians - por dinheiro nenhum. "A minha relação com o Corinthians está bem acima do profissionalismo. Aqui eu me sinto em casa, como se o Corinthians fosse da Bahia. Não dá para me imaginar jogando no Palmeiras. E olha que estou falando isso hoje, aos 28 anos, tendo ainda muita lenha para queimar no futebol. Pode ser até que daqui a um ou dois anos nem o Corinthians me queira mais. Mesmo assim, se tiver de jogar no Palmeiras, prefiro votar para a Bahia. Não pegaria bem". A paixão pelo Corinthians - e pelo Brasil - também conspirou contra Vampeta em sua segunda passagem da Europa. Na verdade, quando ele foi vendido à Inter de Milão por U$ 15 milhões, em 2000, Vampeta fez de tudo para não sair. Mas acabou cedendo às pressões de seu empresário, Reinaldo Pitta, e da própria Hicks Muse, que não abria mão do lucro de R$ 10 milhões no investimento feito em Vampeta - Vampeta havia custado R$ 5 milhões um ano antes. "Financeiramente foi bom, mas fora o dinheiro, seria melhor ter ficado aqui no Corinthians", diz Vampeta. "Não é fácil ficar longe do Brasil: terminar um treino, voltar para casa sem amigos, sem os hábitos brasileiros. Só mesmo pelo dinheiro os caras ficam lá. Duvido que o Rivaldo ou o Roberto Carlos estariam lá se no Brasil ganhassem a quase mesma coisa". Já a sua primeira passagem pela Europa foi diferente. Vampeta era só um menino de 19 e estava descobrindo um novo continente. Além disso, na Holanda a relação da torcida com o jogador é bem semelhante à do Brasil. O seu clube, o PSV, também significou algo parecido com o Corinthians. Vampeta jogava pelo dinheiro, mas jogava também por prazer. "Não dá nem para comparar a minha primeira ida para a Europa com a segunda". A volta ao Corinthians representou também a volta à própria Seleção Brasileira. A maior aposta de Vampeta para disputar a sua primeira Copa do Mundo é o Corinthians. Ao contrário da grande maioria de seus colegas de profissão, que dizem não fazer planos, o projeto profissional de Vampeta é um livro aberto. Ele quer ser campeão mais uma vez pelo Corinthians e jogar a Copa do Mundo. "Outro dia mesmo, conversando com o Deivid e o Gil, eu disse. Aconteça o que acontecer, já escrevi a minha história no clube, ganhando os principais títulos que o Corinthians conquistou em 90 anos. Agora, quero repetir a façanha na Seleção Brasileira".

Agencia Estado,

20 Março 2002 | 17h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.