Antonio Lacerda/EFE
Antonio Lacerda/EFE

Vasco é punido com perda de seis mandos de campo por confusão em São Januário

Conflito no clássico com o Flamengo, no último dia 8, resultou na morte de um torcedor

O Estado de S. Paulo

17 Julho 2017 | 17h16

Em julgamento realizado na tarde desta segunda-feira no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o Vasco foi punido com a perda de seis mandos de campo após a confusão ocorrida durante clássico contra o Flamengo, no último dia 8, em São Januário, onde naquela noite o clube ainda amargou a morte de um torcedor vascaíno, Davi Rocha Lopes, de 27 anos, baleado no peito depois do confronto entre os dois times pelo Campeonato Brasileiro.

O longo julgamento, que durou quase quatro horas, foi acompanhado de perto pelo presidente do Vasco, Eurico Miranda, que chegou a se exaltar até com gritos na tentativa de livrar o seu time da punição. Porém, o clube, que já havia tido o seu estádio interditado em decisão tomada no último dia 10 pelo STJD, agora recebeu uma nova sanção do tribunal, que também manteve a interdição de São Januário.

Para completar, o Vasco ainda foi punido com uma multa de R$ 75 mil, enquanto o Flamengo foi multado em apenas R$ 5 mil, que foi resultado de uma lata atirada no gramado e que partiu de onde estava a torcida rubro-negra no estádio.

As duas decisões tomadas contra o Vasco, porém, ainda cabem recursos tanto por parte da acusação quanto da defesa, pois este julgamento foi em primeira instância. A Procuradoria do STJD, inclusive, já informou que vai recorrer para tentar aumentar a pena contra o clube.

Quando foi denunciado pelo STJD, o Vasco corria o risco de ser punido com a perda de até 25 mandos de campo, assim como estava sujeito a multas que, de acordo com os artigos nos quais o time foi enquadrado, poderiam chegar a R$ 350 mil.

Com o seu estádio interditado, o time vascaíno atuou como mandante no último domingo em um Engenhão com portões fechados e empatou por 0 a 0 com o Santos pela 14ª rodada do Brasileirão. A decisão da interdição foi determinada pelo presidente em exercício do STJD, Paulo César Salomão Filho, mas pode ser revogada pelo próprio presidente ou pelo julgamento do caso no Pleno do tribunal, ainda sem data marcada para ocorrer.

Essa punição da perda de seis mandos de campo também obriga o Vasco a atuar como mandante nestes confrontos em estádios que ficam a 100 quilômetros do Rio, a sua cidade-sede, sendo que esta punição precisa ser cumprida dentro do seu Estado. O consolo para os vascaínos é que nestas partidas a equipe poderá contar com o apoio dos seus torcedores, pois estará liberada a presença de público.

Desta forma, existe a possibilidade de o Vasco fazer os seus próximos confrontos como mandante no estádio Raulino de Oliveira, em Volta Redonda, no interior do Rio, que nos últimos anos foi utilizado com bastante frequência pelos grandes cariocas, principalmente pelo fato de que o Maracanã e o Engenhão ficaram um bom tempo sem poderem ser utilizados por diversos motivos.

ENTENDA O CASO

A confusão do último dia 8 começou ao fim do clássico entre Vasco e Flamengo. Torcedores vascaínos, indignados com a derrota por 1 a 0 para o rival, atiraram pedras e rojões contra o gramado, sendo contidos pela polícia com bombas de gás e spray de pimenta. 

Os torcedores destruíram as instalações do estádio, e a confusão se prolongou pelas ruas do bairro de São Cristóvão, onde Davi Rocha Lopes acabou sendo baleado e depois morreu quando era levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Outros quatro torcedores feridos receberam atendimento no mesmo hospital e foram posteriormente liberados. 

Após o episódio trágico, a Polícia Militar do Rio soltou uma nota oficial na qual responsabilizou funcionários do Vasco por falharem na revista dos torcedores na entrada do estádio e ainda destacou que as brigas entre torcidas do time são "recorrentes" neste Campeonato Brasileiro e isso "principalmente em São Januário".

Após o ocorrido, Eurico Miranda deu uma série de pronunciamentos e entrevistas coletivas para defender o Vasco, sendo que a última vez que o fez foi na noite do último domingo, após o empate do time com o Santos. Na ocasião, o dirigente criticou a PM do Rio e até mesmo a TV Globo pela veiculação de uma reportagem, exibida no Jornal Nacional na semana passada, que relatou que o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) investiga denúncia de que membros de torcida organizada do Vasco, já punida por atos de violência, atuam como funcionários do clube em dias de jogos em São Januário.  

 

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