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Vitória na manha

Paulo Calçade

Foram 45 minutos sem nenhuma falta cometida pelo Corinthians. Então foi um jogão, um grande clássico? Não, a ausência de infrações, sempre comemorada e vista como sinônimo de bom futebol, desta vez retratou a falta de energia da equipe em sua pior versão neste ano. A mistura entre titulares e reservas criou conjunto frágil, desorganizado e, surpreendentemente, repleto de espaços para o Santos jogar.

Cenário incomum para o Corinthians, porém perfeito para Renato, Lucas Lima e Ricardo Oliveira organizarem o time. Em resumo, o suficiente para tranquila vitória por 2 a 0. Mais uma vez, Lucas Lima escapou da marcação dos volantes corintianos, levando o jogo para os lados do campo, setor em que ele se dá muito bem com passes longos e triangulações. Desmarcado, então, é moleza.

Tite movimentou as peças, variou o sistema. Tentou Bruno Henrique ao lado de Willians e depois Bruno entre as linhas. Não funcionou, Danilo era uma porta aberta ao adversário no meio.

No segundo tempo, o Corinthians melhorou um pouquinho, mas só um pouquinho, insuficiente para impedir Ricardo Oliveira de marcar o segundo em contra-ataque. 

O Santos entrou em campo realmente disposto a vencer o jogo, ligado na importância do clássico e apto a recuperar o futebol de seu centroavante depois da frustrada venda para o futebol chinês. O início da temporada, para nenhum time grande brasileiro, é confortável, fato que reforça a importância do resultado santista. Com limitação orçamentária e sem boas contratações, Dorival vai ter trabalho para manter o nível dos titulares.

ÁRBITRO DE VÍDEO

A International Football Association Board (IFAB) se rendeu à realidade. O órgão guardião das regras do futebol finalmente autorizou testes com o uso de imagens para corrigir injustiças que há mais de 150 anos são definidas como parte natural do jogo.

A medida pode introduzir avanços significativos na maneira como encaramos o futebol, mas sua adoção vai depender de testes previstos em várias ligas, inclusive no Campeonato Brasileiro. Mais do que uma chance à tecnologia, a reunião da IFAB pode ser traduzida como a ruptura da entidade com a Revolução Industrial, origem e início do futebol.

Em 1863, quando futebol e rúgbi definiram seus caminhos e algumas das regras atuais ganharam forma na Freemason’s Tavern, em Londres, havia muito daquela sociedade impressa nas primeiras leis do jogo.

Se o futebol espelha a sociedade, a resistência à tecnologia é uma negação do presente. Sem aberrações ou mudanças que alterem o espírito do jogo, como a extinção do impedimento, por exemplo, é fundamental que a IFAB continue a promover mudanças.

Que venham os testes, mas ainda é muito cedo para definir os prós e os contras do projeto. O que não pode acontecer é a acomodação, a pura e simples substituição da arbitragem pela imagem.

CBF está disposta a investir milhões no árbitro de vídeo e nenhum centavo em sua formação profissional. Para melhorar, de verdade, é necessário agir nas duas frentes.

PROBLEMA FÍSICO?

É comum derrotas serem vinculadas ao rendimento físico de uma equipe. Isso acontece frequentemente quando se busca uma explicação para os problemas do campo, que não são apenas físicos, são táticos também.

Edgardo Bauza viu o São Paulo cansado na derrota para o São Bernardo. Cansado está o torcedor. Quando os jogadores deixam de cumprir suas funções táticas, ou simplesmente desfilam em campo, o desgaste parece mesmo a melhor resposta.

A questão física é importante, mas é apenas parte do problema, não o todo. Não se justifica quando existe desorganização e falta de comprometimento.

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