Zveiter: o manda-chuva do futebol

O desembargador Luiz Zveiter consolidou-se como manda-chuva do futebol brasileiro ao decidir sozinho a anulação de 11 jogos do campeonato nacional. Seu poder nos bastidores do esporte dura uma década. Chegou à presidência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) em 1996, a convite do presidente da (CBF), Ricardo Teixeira. Três anos depois, passou o cargo para o irmão Sérgio, ex-secretário de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Voltou a ocupá-lo em janeiro de 2000, quando reorganizou o STJD e teve o nome contestado por advogados com militância na Justiça esportiva. Desde então, um de seus maiores desafetos passou a ser o jurista Valed Perry, uma das maiores referências em direito esportivo no Brasil, que se afastou do futebol por alguns meses depois de ser punido pelo STJD. O erro de Perry foi defender publicamente a tese de que magistrados não poderiam exercer atividade no tribunal esportivo. Hoje, Perry é assessor jurídico da CBF. A principal polêmica no esporte envolvendo um integrante da família Zveiter ocorreu em 1999, quando o Botafogo foi salvo do rebaixamento para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro por uma interpretação do então presidente do STJD, Sérgio Zveiter, que, assim como o irmão, nunca negou a paixão pelo clube carioca. Na oportunidade, ao constatar que o atacante do São Paulo, Sandro Hiroshi, tinha uma certidão de nascimento falsa, a CBF determinou a correção nos documentos do atleta. Mas lhe deu condições de jogo. Sérgio Zveiter, no entanto, fez outra leitura do caso e concedeu ao Botafogo os pontos da derrota para o clube paulista. Em 2001, quando ainda era estudante de direito, Flávio Zveiter, filho do presidente do tribunal, passou a integrar uma comissão disciplinar do STJD. Hoje, com o curso já finalizado, Flávio, também torcedor do Botafogo, é o mais novo auditor do tribunal. Na lista dos Zveiters não pode faltar o nome do pai de Sérgio e Luiz, Waldemar Zveiter, ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça. Ainda em 2001, Luiz Zveiter suspendeu por 30 dias o presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Armando Marques, que ofendera o árbitro Paulo César Oliveira por sua atuação num Vasco x Paraná. Na mesma partida, o presidente do clube carioca, Eurico Miranda, invadiu o campo, mas não recebeu nenhuma sanção pela atitude antidesportiva. Retribuição - Recentemente, Eurico foi o único dirigente a sair em defesa de Zveiter numa briga acirrada pela disputa do controle do STJD, envolvendo de um lado Ricardo Teixeira e do outro o próprio Luiz Zveiter. O presidente da CBF já vinha manifestando entre assessores uma certa contrariedade com o poder crescente do desembargador na esfera esportiva. A CBF acabou derrotada e Zveiter permaneceu no tribunal. Outras polêmicas entre clubes, advogados e auditores do STJD ocorreram ao longo de 2002. Mas foi em 2003 que ressurgiram com intensidade. Primeiro, houve protestos de vários juristas sobre a interpretação de Zveiter de aplicar suspensão preventiva a atletas que cometessem jogadas violentas antes mesmo do julgamento. Diante das críticas, recuou. Luiz Zveiter esforçou-se durante o ano de 2003 para coibir atos de violência dentro e fora de campo. O STJD até que avançou num ponto: usar imagens de TV para punir infrações que não constassem das súmulas dos árbitros. Com isso, ganhou crédito com a opinião pública. Mas a antecipação do julgamento de incidentes no jogo Marília x Botafogo, disputado em 21 de outubro de 2003, com a convocação de uma sessão extraordinária, expôs novamente o tribunal. Os auditores puniram o clube paulista com a perda de mando de campo por uma partida ? que foi contra o Botafogo ? e chegaram a justificar seus votos de maneira pouco sutil. Um deles, Otávio Gomes, disse que o Marília deveria ?treinar e educar? sua torcida.

Agencia Estado,

07 Outubro 2005 | 09h20

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