A arena que fará nascer uma cidade em Pernambuco

O estádio foi idealizado para a Copa de 2014, mas é apenas o pontapé inicial de um empreendimento bem mais ambicioso

ALMIR LEITE E PAULO FAVERO, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2012 | 03h05

Projetar uma arena para ser erguida no meio do nada, mas que, a longo prazo, vai se tornar parte integrante de uma "cidade''. Esse foi o desafio dos arquitetos responsáveis pelo projeto da Arena Pernambuco. Encravada em um terreno até então intocável do município de São Lourenço da Mata, região metropolitana do Recife, o estádio para 46.100 pessoas foi idealizado para a Copa de 2014 - e, se possível for, para a Copa das Confederações no próximo ano. Mas é apenas o pontapé inicial de um empreendimento bem mais ambicioso, a Cidade da Copa.

Por enquanto, as obras da arena são a única coisa que se pode observar na área de estimados 252 hectares, 50 deles ocupados pelo estádio. Mas a ideia é que em no máximo 25 anos o local tenha residências, hotéis, shopping center, edifícios comerciais, universidade... Ou seja, que se transforme numa verdadeira cidade.

"A escolha de São Lourenço da Mata para a construção da arena e também da Cidade da Copa foi uma forma encontrada pelo governo para induzir o crescimento da região oeste (a menos desenvolvida da Grande Recife)'', disse ao Estado Ricardo Leitão, secretário extraordinário para a Copa em Pernambuco. "Este será o maior legado que a Copa vai deixar em todo o Brasil.''

A Arena Pernambuco é a única das 12 do Mundial não localizada em uma capital. São Lourenço da Mata está a 19 quilômetros do Recife, tem 98.402 habitantes, segundo o último levantamento do IBGE, e suas características são de cidade-dormitório. A expectativa é que, com o avanço do empreendimento, o município atraia indústrias e também se torne um polo de comércio e serviços.

Como a Cidade da Copa vai nascer a partir da arena, o projeto de sua construção teve de considerar a ocupação futura da região. "Não havia um entorno, uma ocupação consolidada. Isso já nos obrigou a olhar o projeto de uma outra forma. Nesse caso, num primeiro momento o projeto precisou se relacionar com esse entorno, que no futuro vai ser substituído pelas construções. Isso foi a principal diretriz'', disse Daniel Hopf Fernandes, diretor titular da Fernandes Arquitetos Associados, escritório responsável pelo projeto da Arena Pernambuco.

Na falta de um entorno para servir como referência, os arquitetos levaram em consideração as características naturais da região, tais como vegetação, topografia e relevo. "O conceito da edificação é integrá-la com esse entorno natural. A geometria da arena está associada a algo que nasce do solo, é como se o estádio estivesse enraizado no terreno'', explica Daniel.

O cuidado em integrar a arena com as futuras edificações e com as pessoas que povoarão a Cidade da Copa, como moradores, trabalhadores e visitantes ocasionais, também foi contemplado no projeto na forma de uma área de circulação bastante ampla, pois está previsto que o adensamento ocorrerá a uma distância entre 100 e 150 metros da área de influência do estádio.

Utilização. A Arena Pernambuco, claro, não vai ser utilizada apenas para jogos de futebol. Mas o esporte será o carro-chefe e há projeções dando conta de que 60 partidas por ano, com público médio de 18 mil pessoas, serão suficientes para que comece a se pagar.

O Náutico já fechou contrato com o consórcio que tocará a arena para jogar lá 30 vezes por ano. O Sport, segundo a Secopa, está próximo de acordo para mais 30 apresentações - o Santa Cruz não abrirá mão do Arruda.

Além disso, estão em negociações os naming rights e os pernambucanos esperam negociá-los por R$ 80 milhões, a serem recebidos por período estimado entre 20 e 30 anos.

Corrida contra o tempo. Mas pensar em lucros é coisa para o futuro. No momento, a preocupação dos pernambucanos é tentar convencer a Fifa a confirmar de uma vez por todas a arena como uma das sedes da Copa das Confederações. Na terça-feira, a Construtora Odebrecht e o governo estadual informaram que o índice de conclusão da obra era de 64% e o ritmo acelerado permitia acreditar que a arena receberá sinal verde da Fifa.

O problema é que a Fifa tem expectativa de ver o estádio pronto no máximo até fevereiro - a Secopa e a Construtora Odebrecht trabalham com esse prazo -, mas o governador Eduardo Campos anunciou a data de inauguração para 14 de abril. Pode ser tarde para a Copa das Confederações. Para o Mundial de 2014, a arena estará preparada. E também para o que virá depois.

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