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Ah, a seleção...

O Brasil ficar fora de uma Copa soa como literatura fantástica, filme de terror, tragédia do mundo da bola. Hipótese fantasmagórica e coisa de pessimistas de carteirinha. Pois convém o torcedor desde já cogitar da possibilidade de ocorrer essa catástrofe.

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Antero Greco

30 Março 2016 | 05h59

Embora haja muito caminho a percorrer até a Rússia, a equipe de Dunga e CBF cava fosso para afundar-se numa região em que as Eliminatórias concedem quatro vagas diretas e uma na repescagem. O desempenho na primeira parte do torneio qualificatório é tão frágil que, no momento, o país pentacampeão está em sexto lugar. Preocupante.

A amarelinha virou um tédio na maior arte de seus jogos. Às vezes, como ontem, reserva emoções para o final, como forma de encobrir a raiva que desperta. Pouco importam os esboços de ironia do treinador nas respostas, sobretudo depois de derrapadas ou quando se salva na bacia das almas, como aconteceu em Assunção. Seleção é coração, também, mas não só; precisa, acima de tudo, de técnica. 

A seleção age muito como marionete mal manipulada. Um punhado de soldadinhos a espalhar-se pelo campo sem coordenação, sem brilho, sem controle tático e emocional. O Brasil não incomodou os paraguaios no primeiro tempo, exceto por um chute de Ricardo Oliveira que acertou o travessão. No mais, ficou feito barata tonta à cata dos adversários, tomou um gol e não levou outro por milagre de Alisson.

No segundo, Dunga imaginou formação mais forte ao colocar Hulk no lugar de Fernandinho. Mas, na enésima desatenção defensiva, veio o segundo gol paraguaio. Depois, entrou Lucas Lima na vaga de Luiz Gustavo. Como em situações semelhantes, o grupo sentiu o baque, foi à frente na base da boa vontade e da correria. O Paraguai, que tinha o controle, recuou e pagou o preço alto por isso ao levar os dois gols que valeram o empate na parte final. Por um triz não engoliu a virada no lance final.

A seleção evitou vexame, mas não esconde deficiências. Não tem maestro, alguém para colocar a bola no chão e pensar o jogo. Não tem protagonistas, quem desequilibre em favor dela. A seleção continua a depender da inspiração, do humor e das aparições de Neymar. A seleção tem um técnico atônito. 

Ah, o Palmeiras... O Palmeiras encontra-se numa situação enjoada no Paulista. Lanterna do Grupo B, não depende de seu esforço para superar o turno. No momento, precisa fazer a parte que lhe cabe e ainda torcer por combinações de tropeços de Ituano, Novorizontino, Ponte e São Bernardo, todos à frente dele. Só dois seguem adiante.

Mas aporrinhamento pra valer é ficar na esperança de ajudinha de rivais. Por exemplo, do Corinthians. A turma de Tite tem a maior pontuação até agora - 29 contra 15 dos palestrinos - e hoje recebe a Ponte em Itaquera. Uma vitória alvinegra não refresca a vida alviverde, mas anima pro duelo de amanhã com o Rio Claro no Pacaembu.

Claro que cada um cuida dos próprios problemas, e auxílio indireto ocorre com frequência e espontaneidade. No caso do Palmeiras, vira motivo adicional para gozação. E não há como contestar, porque se trata de constatação real: se a equipe campineira aprontar e ganhar do Corinthians, aumenta a diferença. 

Para arrepiar os cabelos esparsos de Cuca, há a inclinação de Tite de mandar mistão a campo. Enfim, situação chata pra burro, porém criada por incompetência verde, que flerta até com o rebaixamento. 

Ah, o Santos... O Santos levou tremendo chapéu na negociação de Neymar com o Barcelona. Ganhou uns trocados pelo principal jogador revelado pelo Brasil nos últimos anos. Para agravar a mancada, recebe multa da Fifa por procedimento incorreto na transação. É trapalhada demais. 

Ah, a Alemanha... Os campeões do mundo não empolgaram, depois da Copa. Daí, às vésperas da Euro, mesmo sem força total, recebem a Itália, lascam 4 a 1, e alarmam os rivais...

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