1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Análise: Luiz Antônio Prósperi

O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2012 | 02h 08

Sem a sorte de 2002, Scolari terá um duro desafio no ano que vem

Felipão desta vez não teve sorte. No sorteio da Copa das Confederações, ontem, o Brasil caiu no grupo mais difícil. Vai medir forças com Itália, México e Japão. Uma pedreira. Bem diferente da Copa do Mundo de 2002, quando a seleção brasileira saiu premiada na primeira fase ao cair na chave de Turquia, Costa Rica e China. Um grupo fácil que permitiu a Luiz Felipe Scolari ajustar o time para tarefas mais complicadas nos jogos eliminatórios.

Agora o quadro é outro. Felipão, empossado no comando da seleção na sexta-feira, terá pouco tempo para dar um novo perfil ao time.

E a sequência de jogos na tabela da Copa das Confederações não parece tranquila. O Brasil estreia contra o Japão, uma seleção entrosada, jovem e de muita correria. No recente amistoso, ainda no reinado de Mano Menezes, os japoneses não foram páreo. Levaram uma sova de 4 a 0. Mas em competição oficial podem dar trabalho. Não vão partir como camicases para cima do Brasil.

O segundo jogo também pode ser outra dureza. O México tem tirado a seleção brasileira para dançar nos últimos confrontos. Os mexicanos, na linguagem do futebol, perderam o respeito pelos pentacampeões do mundo. Jogam franco, correm riscos, mas se impõem.

Fechando a tabela, o time de Felipão enfrenta a Itália, uma equipe arejada nas mãos de Cesare Prandelli. Os italianos mostraram força e futebol com a bola no chão na última Eurocopa.

Para não ter trabalho contra a Itália, o Brasil tem de chegar já classificado às semifinais. Tem de fazer o dever de casa muito bem feito diante de Japão e México para não correr risco contra os italianos, donos de quatro títulos mundiais.

Trata-se de um duro teste para a nova seleção brasileira. "Temos de encarar com muita seriedade os três jogos, sem margem de erros", antecipa o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira.

No outro grupo, a Espanha tem tudo para navegar em águas calmas. Os atuais campeões do mundo vão estrear diante do Uruguai, o adversário mais forte da chave. Depois terão pela frente seleções sem tradição no cenário internacional, como Taiti e o representante da África, ainda indefinido. Uma barbada.

O Uruguai também se deu bem. Dona de campanha irregular nas Eliminatórias Sul-Americanas para 2014, a Celeste não deve ter muitas dificuldades para se garantir nas semifinais. Vai brigar com a Espanha pelo primeiro lugar do grupo.

Numa projeção simples, as semifinais devem ter Brasil, primeiro do Grupo A, e Itália, em segundo. E, do outro lado, a Espanha em primeiro no Grupo B, com Uruguai em segundo. Nessa composição, a seleção brasileira enfrentaria os uruguaios e os espanhóis mediriam forças com os italianos, repetindo a final da Eurocopa de 2012, na Ucrânia.

E assim, salvo alguma surpresa, a final seria entre Brasil e Espanha, um confronto esperado desde que os espanhóis passaram a comandar o futebol internacional a partir da conquista da Euro de 2008, emendando com os títulos da Copa do Mundo de 2010 e da Euro de 2012.

Se a seleção levantar a taça das Confederações no Maracanã, dia 30 de junho, Felipão e Parreira terão dado um grande passo rumo ao hexa em 2014. Bom lembrar que ser campeão neste evento-teste não eleva a soberania no ano seguinte. O Brasil foi campeão das Confederações em 2005 e 2009 e fracassou nos Mundiais de 2006 e 2010.

  • Tags: