Atleta e técnico no hipismo, Pessoa alfineta colega que o criticou

'Se tiver alguém mais qualificado, pode pegar o meu cargo', disse o atleta sobre sua nomeação para técnico da equipe

SÍLVIO BARSETTI , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2012 | 03h06

Três vezes medalhista olímpico, Rodrigo Pessoa participou na manhã de ontem da cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil na Vila Olímpica. Posou para fotos e depois deixou um recado para quem o critica por acumular a função de técnico da equipe em Londres com a de atleta. "Tem companheiros que não se conformam com minha posição. Mas se tiver alguém mais qualificado, pode vir pegar o meu cargo", disse Pessoa.

Embora sem citar nomes, seu principal alvo era o atual campeão brasileiro de saltos, César Almeida, que abriu mão de disputar a Olimpíada de Londres por não acreditar "na isenção do processo seletivo" de Rodrigo Pessoa. César deu a entender, em entrevista recente ao Estado, que o 'técnico' daria preferência aos amigos para formar a equipe que vai competir na capital inglesa.

"Quem está incomodado, e disposto, que venha pegar meu lugar", prosseguiu Pessoa, pouco depois de se enrolar numa bandeira do Brasil.

Antes, ao avaliar o momento atual do hipismo nacional, disse não há chances de a equipe conquistar alguma medalha de ouro em Londres. "Não temos condições de lutar pelo ouro, se subirmos ao pódio já será fantástico." O cavaleiro, porém, acredita numa reviravolta para os Jogos de 2016. Disse esperar mais investimento no esporte para que o Brasil chegue como favorito daqui a quatro anos no hipismo.

"Precisamos de cavalos de ponta, à altura dos que têm Estados Unidos e Alemanha, por exemplo. Depois dos Jogos de Londres, acredito numa ação conjunta do Ministério do Esporte, Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) para tratar do assunto", declarou, ainda na zona internacional da Vila Olímpica.

Apesar de participar de sua sexta olimpíada - estreou em 1992, em Barcelona, Pessoa jamais havia presenciado a festa de hasteamento da bandeira, uma cerimônia de boas vindas das delegações. "E é uma sorte ver Londres com esse céu azul, isso aqui é muito difícil."

Na sexta-feira, na abertura oficial dos Jogos, ele vai conduzir a bandeira do Brasil. "Será uma honra."

O cavaleiro confirmou que vai tentar classificação para os Jogos de 2016 e que depois da edição do Rio decidirá se tentará o feito novamente, para 2020. Dessa forma, manifestou seu interesse de ser o recordista do País em disputas olímpicas.

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