Atletas querem verba, COB pede calma

Os atletas incluídos em programas de ajuda de custo pelas confederações de modalidades olímpicas - um apoio financeiro para que possam se dedicar aos treinamentos - estranham que o dinheiro ainda não esteja em seus bolsos. Mas o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, garante que a verba será liberada. Segundo ele, o atraso ocorreu por um problema burocrático, já resolvido - para repassar o dinheiro, o COB foi obrigado a criar um mecanismo que não caracterizasse vínculo empregatício. A rubrica "Ajuda para a Manutenção de Atletas" passa a integrar uma lista de itens, que inclui manutenção da entidade, aquisição de material esportivo, participação em eventos nacionais e internacionais, etc. Segundo o COB, o dinheiro que a Lei Piva libera é "carimbado", destinado a um fim específico, e só pode ser utilizado em itens dos projetos das confederações que já foram aprovados. "A vida inteira ninguém recebeu nada, não tem do que reclamar agora. É melhor esperar um pouco e não ter problemas no futuro com o Tribunal de Contas da União", disse Nuzman. O dirigente garantiu que a nova rubrica resolve o problema. "Já enviamos os documentos às confederações. O dinheiro será liberado assim que recebermos os formulários de volta." Problemas - Nuzman também confirmou que as confederações consideradas inadimplentes com o governo não poderão receber verbas para sua manutenção. Estão nesta situação a Confederação Brasileira de Canoagem e a Federação Brasileira de Vela e Motor, que têm problemas na prestação de contas. "Acho que têm interesse em resolver a pendência logo." Coaracy Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), uma das entidades que destinará o dinheiro da Lei Piva aos atletas das seleções, confirmou que o processo será concluído dentro de uma semana. "Eu já expliquei aos atletas que vamos liberar o dinheiro após o Sul-Americano." A Lei Piva foi sancionada em 16 de julho de 2001, mas, até agora, seus recursos ainda não chegaram a todos os atletas. Segundo o COB, em função da complexidade de sua aplicação. Das 27 confederações, porém, apenas as de Triatlo, Vôlei e Tiro com Arco, além da CBDA, não usaram o dinheiro da Lei Piva. Como o dinheiro é "carimbado", tem de ser retirado apenas para o uso definido no projeto. O vôlei, por exemplo, deverá usar os recursos para a construção de um Centro de Treinamento em Saquarema e, assim, só poderá sacar o dinheiro quando tiver de efetuar algum pagamento referente à obra. Pela legislação, 2% dos prêmios de todas as loterias federais são destinados aos esportes olímpicos. O COB administra 85% dos recursos (10% para o esporte universitário, 5% para o escolar e o restante para o de alto rendimento - a previsão é de que as 27 confederações tenham direito a R$ 18 milhões em 2002). O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB) fica com 15%.

Agencia Estado,

08 Março 2002 | 19h46

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