Autoridades inglesas divergem sobre lucro da Olimpíada

O prefeito de Londres diz que Jogos trouxeram R$ 50 bi de ganho para a cidade; já o BC avalia que nada mudou na economia

Jamil Chade, enviado especial, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2012 | 03h05

LONDRS - As autoridades britânicas admitem: os Jogos Olímpicos de 2012 terão um impacto limitado na economia local e não vão tirar o país de sua segunda recessão em três anos. Enquanto o prefeito de Londres, Boris Johnson, insistia que os Jogos trariam lucros de R$ 50 bilhões para a cidade, o governador do Banco Central da Inglaterra, Mervyn King, foi categórico em apontar que a empolgação da torcida e as medalhas não mudariam substancialmente a economia.

Os Jogos consumiram US$ 14 bilhões em recursos públicos, o dobro do que havia sido previsto em 2005. O primeiro-ministro David Cameron não desperdiçou a oportunidade para tentar transformar o evento num showcase de Londres e atrair investidores. Cinco mil empresários e dezenas de chefes de estado passaram pela cidade nos últimos 15 dias.

Mas King, a máxima autoridade monetária do país, foi claro ontem. "Ao espalhar felicidade, os Jogos fizeram que nos sentíssemos melhor. E até pode ser que esse sentimento ajude na confiança e dê um impulso à economia. Mas, no fundo, os Jogos não conseguirão alterar a situação econômica pela qual atravessamos", disse.

Johnson tem outra avaliação. Segundo ele, os lucros para a cidade poderiam chegar a £ 16 bilhões, cerca de R$ 50 bilhões. Um dos maiores impactos seria em Stratford, uma das regiões mais pobres de Londres e que hoje tem um dos maiores centros comerciais da Europa.

O prefeito insiste que 300 mil estrangeiros visitaram a cidade nos Jogos e 600 mil britânicos se deslocaram até a capital para assistir ao evento. A ocupação da rede hoteleira chegou a 84%, acima de Pequim em 2008 e Sydney em 2000. Ele ainda insiste que 98% dos £ 6 bilhões em obras foram dados a empresas locais. O prefeito disse que 12 mil novos postos de trabalho serão gerados apenas no setor do turismo. A chegada dos visitantes também aumentou em 20%, o movimento dos restaurantes, em 24%, e até os teatros viram um aumento de 114% na venda de entradas.

Ontem, Johnson se disse "aliviado" com os Jogos, que teve apenas uma prisão por suspeita de terrorismo nos últimos 16 dias. "Foi o maior de todos os tempos." Jacques Rogge, presidente do COI, não foi tão ousado e apenas disse que foram jogos "gloriosos". Johnson revelou que sentiu um "momentâneo desejo louco" de não entregar a bandeira olímpica a Eduardo Paes na cerimônia de encerramento.

Já Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, admitiu ontem que não haverá lucro. Mas insistiu que as contas terminaram equilibradas.

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