Blatter: Brasil precisa formar logo uma seleção

Para presidente da Fifa, derrota na final olímpica vai criar 'barulho' e fazer País rever planos e sair em busca de craques

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2012 | 03h05

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, alerta que, depois da derrota do time olímpico para o México por 2 a 1, no sábado, o Brasil terá de recomeçar a buscar craques para formar uma seleção para a Copa de 2014. Falando ontem em Londres, o cartola suíço disse acreditar que a prata da seleção de Neymar irá criar "barulho'' interno da CBF e declara que a prioridade do País agora é "formar'' uma equipe.

"A derrota ameaça fazer barulho dentro da confederação (CBF) no que se refere à preparação da seleção (para 2014)'', disse. O cartola não deixou de destacar que o time que estava em campo no sábado não era apenas a seleção olímpica do Brasil, mas, praticamente, o único que o País tem hoje. "Não podemos esquecer que a equipe que estava em campo era a seleção nacional'', acrescentou.

Para Blatter, o Brasil agora terá de "reabrir os cadernos'' para voltar a buscar craques para formar um time principal para 2014. "Agora vão ter de reabrir os cadernos para ver'', disse.

Segundo o suíço, a Copa das Confederações, em 2013, será o próximo "teste'' para a seleção, mas alerta que será também um teste para a organização. "Teremos Itália, Espanha, Uruguai, Japão e México, além de África e Taiti. Será um grande torneio.''

Crítico contumaz da organização do Mundial no Brasil, Blatter tem se mostrado confiante na preparação do País para sediar o evento. "O Brasil estará pronto'', acredita, repetindo declarações dadas há cerca de três semanas. Mas alerta: agora, os brasileiros também precisam "formar uma seleção''.

O cartola havia colocado o Brasil, Espanha e Uruguai como favoritos para levar o ouro em Londres. Mas o resultado não respeitou sua previsão. Sobre o jogo que decidiu a medalha de ouro no futebol masculino, Blatter não poupou o time de Oscar, Rafael e Leandro Damião. "O Brasil talvez não acreditou profundamente. Quando começaram a trabalhar, já era muito tarde'', avaliou o presidente da Fifa. "No futebol, há os favoritos e aqueles que finalmente vencem'', alfinetou o cartola.

Ele considerou bastante positivo o futebol apresentado pelo México na Olimpíada. "Os mexicanos surpreenderam muito, não apenas pelo primeiro gol, mas também pela forma que controlaram o jogo. Os brasileiros que eram os grandes favoritos, não conseguiram entrar de volta no jogo'', analisou. "Eles jogaram técnica e taticamente de uma forma muito inteligente e depois vimos que não há apenas grandes jogadores no Brasil, mas também no México.''

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