Borderôs revelam curiosidades sobre a 1ª fase do Estadual

Análise dos números da competição mostra que os 20 clubes terminaram a fase de classificação no azul

WAGNER VILARON - O Estado de S.Paulo,

13 Maio 2012 | 03h06

SÃO PAULO - A relevância, o formato, o sistema de disputa e até mesmo a existência do Campeonato Paulista têm sido contestadas nas últimas temporadas. Intrigados por tanto disse-que-disse, profissionais que estudam o mercado do futebol brasileiro decidiram debruçar-se sobre os números que constam dos borderôs (público e renda) relativos a todas as partidas da primeira fase da edição deste ano e concluíram: o Estadual é rentável, portanto, viável.

Entre os dados que mais chamam atenção está o fato de os 20 clubes que disputam a competição terem "fechado" no azul. Ou seja, ninguém pagou para jogar. A renda total bruta da primeira fase foi de R$ 26.079.909,53. Após os descontos de R$ 11.675.689,90, sobraram líquidos R$ 14.404.219,63. Deste total, R$ 1.303.995,47 ficam com a Federação Paulista de Futebol (FPF). O preço médio do ingresso foi de R$ 26,39.

E a primeira surpresa do levantamento está no ranking das maiores arrecadações em jogos como mandante. Como esperado, o Corinthians lidera com R$ 2.706.147,92, seguido por São Paulo (R$ 2.385.500,92) e Palmeiras (R$ 1.720.773.79). No quarto lugar, porém, o posto que, em tese, pertenceria ao Santos é ocupado pelo Botafogo.

O clube de Ribeirão Preto tem arrecadação bruta inferior à do Alvinegro - R$ 1.491.621,00 contra R$ 2.207.900,00 -, mas leva vantagem na receita líquida, R$ 1.109.386,34 frente R$ 1.091.979,50. "Verificamos que o item 'despesas diversas' do Santos na Vila Belmiro traz sempre valores altos, que chegam até a R$ 58 mil. Isso provoca esta diferença grande entre os números da arrecadação bruta e líquida", explicou Bruno Consenza, consultor da Trevisan Gestão & Consultoria, empresa responsável pela análise.

A Portuguesa passa pela mesma situação. O clube do Canindé está na lanterna do ranking, embora sua receita bruta seja maior do que São Caetano, Paulista, Oeste e Catanduvense. "A Portuguesa registra uma receita bruta de R$ 564.415,00. No entanto as despesas diversas fazem este número cair para R$ 94.884,86, a pior entre os 20 clubes", observou o especialista.

No quesito presença de público, os quatro grandes lideram. O Corinthians encabeça a lista, com total de 247.895, média de 13.047 por jogo. Logo atrás estão São Paulo (237.733/12.512), Palmeiras (224.920/11.838) e Santos (181.757/9.566). O finalista Guarani é o sexto colocado (95.360/5.019). O público total da primeira fase foi de 988.151, média de 5.201.

Arquibancada. O estudo traz algumas curiosidades. Por exemplo, o maior público da fase de classificação foi registrado no clássico São Paulo x Santos, no Morumbi, que atraiu 31.972 pagantes, seguido por Corinthians x Palmeiras, no Pacaembu, com 29.284. Por outro lado, na parte de baixo da tabela está São Caetano x Mirassol, assistido por 278 pessoas.

Consenza destaca que o principal indicativo do estudo é mostrar a dependência financeira dos clubes pequenos em relação aos grandes. "Alguns clássicos do interior tiveram bom público, como Botafogo x Comercial (8.191). Mas quando desconsideramos a presença dos grandes percebemos que o Paulista não se sustentaria", comentou. "A redução do número de participantes e a divisão em grupos seriam medidas para melhorar a disputa."

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