Brasil ganha duas de ouro no caratê

Aline Dota, de 22 anos, ficou conhecida no começo do ano após descobrir que o cativeiro do publicitário Washington Olivetto era vizinho de sua casa, na Rua Kansas, no bairro do Brooklin, em São Paulo. Com um estetoscópio, a estudante de Medicina conseguiu decifrar os pedidos de socorro e acionou a polícia. Aline pratica caratê há 11 anos e ontem ajudou a equipe brasileira a conquistar a medalha de ouro do katá (simulação de combate) ? o caratê destes Jogos Sul-Americanos está sendo disputado no Conjunto Poliesportivo do Ibirapuera. O Brasil fechou 2 a 1 sobre a Venezuela. ?Foi ótimo. Muito legal. Ainda mais porque tínhamos as venezuelanas atravessadas na garganta?, comentou a atleta. ?No Pan-Americano, na semana passada, em Porto Rico, não chegamos ao confronto direto, mas ainda ficamos atrás delas na classificação geral?, explicou. Na prova de katá, modalidade que integra o caratê, as três atletas precisam realizar os movimentos de forma sincronizada, simulando uma luta com uma oponente. Na final, fazem uma nova apresentação, mostrando a eficiência de cada golpe mostrado durante o exercício. ?Foi maravilhoso. Muito emocionante. Fiquei vendo até a conquista da medalha de ouro?, comemorava a mãe de Aline, Mara Dota. Aline já está acostumada a ser lembrada por ter salvo o publicitário Washington Olivetto, que mostrou sua gratidão patrocinando a carateca. ?Ele me ajuda muito com as viagens que preciso fazer por causa das competições. Nós nos vemos com freqüência. Sempre que posso vou até a agência (de publicidade) dele. Nós nos tornamos grandes amigos.? Mesmo sabendo que foi essencial para a descoberta do cativeiro de Olivetto, Aline não gosta de ser rotulada de ?anjo?. ?Não existe nada disso. Não sou nenhuma salvadora da pátria. Aconteceu e pronto?, disse. Além de a medalha de ouro no katá por equipe feminino, o Brasil também levou ouro na modalidade individual com Cíntia Lassalvia ? companheira de Aline na equipe, que cede apenas uma atleta para a disputa individual. ?Eu não esperava pelas medalhas. Mas trabalhei muito e fui para o tudo ou nada?, disse a carateca Cíntia, que venceu a venezuelana Johana Sánchez, nas semifinais. ?A Sánchez ficou entre as oito melhores no Mundial da Alemanha, disputado há dois anos. Isso me traz confiança para um bom desempenho na Espanha, em novembro.? Na final, a brasileira bateu a uruguaia Paola Loity por 2 a 1.

Agencia Estado,

08 Agosto 2002 | 20h25

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.