Brasileira é ouro no Mountain Bike

A mineira Jaqueline Mourão tinha tudo para ser uma ginasta olímpica, esporte que praticava havia seis anos, se em 1997 não tivesse assistido a uma prova de Mountain Bike. "É isso que quero fazer", avisou aos familiares e amigos. Não foi levada muito a sério, mas agora está no auge e, com a medalha de ouro conseguida neste sábado nos 7º Jogos Sul-Americanos, em Curitiba, já se colocou entre as 30 melhores do mundo. Ela fez os 30 quilômetros do percurso em 1h44m47. Se conseguir manter o posto até 31 de dezembro do próximo ano, estará com a vaga garantida para as Olimpíadas. "Quero essa vaga", anunciou, enquanto vibrava com a torcida que compareceu à pista de Mountain Bike, no Parque Barigüi, em Curitiba. Com 25 anos, ela tem ainda muita estrada a pedalar. As 10 melhores atletas mundiais no Montain Bike têm idades entre 30 e 35 anos. Esta é a primeira medalha em competição internacional da ciclista que há seis meses treina no Centro Mundial de Ciclismo, na Suíça, juntamente com outras 11 atletas de países sem tradição olímpica, em um projeto de solidariedade. "Lá, a gente tem muito ritmo de prova", disse. O que foi comprovado em Curitiba, quando chegou pouco mais de cinco minutos à frente da segunda colocada, a também mineira Érika Fernanda Graniselli, de 18 anos. Em 98, ela passou pela mais importante prova de sua vida, quando quebrou a perna direita. Ficou um ano afastada das pistas. Mas logo em 2000, mostrando talento, liderou o ranking nacional, o que despertou as atenções internacionais. "Estou muito feliz por voltar e ganhar uma medalha defendendo o País", vibrou. "Eu me preparei e vim para ganhar." O treinamento fora do Brasil vem despertando o interesse de outros atletas. O ciclista Odair José de Oliveira Pereira, de 28 anos, medalha de bronze nas provas de ontem, tem como meta uma temporada na Europa. Paulistano, mas treinando em Itu, na Equipe Scott/Fiat, ele consegue sobreviver apenas do esporte. Mas no início não foi assim. Ele não ganhou bicicleta nos primeiros anos de vida, pois a condição financeira da família não permitia. Para o menino, o bicicross era uma paixão utópica. Na pista, quase todos os colegas iam mostrar suas bicicletas apropriadas para o esporte. Pereira levava a "barra forte" do pai. "Mas ficava com vergonha de entrar", lembra. Mais do que na força das pernas, a bicicleta estava no sangue, e ele arrumou um emprego como ajudante em uma bicicletaria, em Itu. "Queria competir, mas não tinha dinheiro para comprar a bicicleta", diz. "Fui trabalhando, remendando pneus e juntando dinheiro." Com 12 anos, conseguiu comprar uma BMX, a famosa "pantera". "Para mim, era a melhor coisa do mundo", diz. A vergonha ficou de lado e ele pode se iniciar verdadeiramente no esporte. Em 1993, fez a primeira corrida oficial, com uma bicicleta emprestada, no Campeonato Paulista Júnior. Ficou na quinta colocação. "Vi que tinha capacidade e ano a ano fui melhorando." Hoje, ele acumula experiência de quatro mundiais e uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1995, realizado em Santiago, no Chile.

Agencia Estado,

10 Agosto 2002 | 14h01

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