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Copa 2014

Briga coloca Fred na mira da Fifa

Diretor da CBF já foi suspenso por confronto ocorrido no intervalo do jogo com o Chile; agora, atacante é investigado

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Jamil Chade e Luiz Antônio Prósperi - Enviados especiais a Teresópolis,
O Estado de S.Paulo

01 Julho 2014 | 02h04

A Fifa abriu investigação sobre a briga entre brasileiros e chilenos no intervalo do jogo de sábado, no Mineirão, e, com base em um vídeo, não descarta que jogadores sejam punidos. A entidade não revela o nome dos envolvidos. Mas o Estado apurou que Fred está entre eles. Na última segunda-feira, a Federação anunciou a suspensão do diretor de Comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, por um jogo, sob alegação de que agrediu o chileno Pinilla. Na CBF, há revolta com o comportamento da Fifa, além da suspeita de má vontade com a seleção brasileira.

Após punir preventivamente Paiva, a Fifa apura a suspeita de que a confusão teria começado ainda em campo e envolvido Fred. Mas a ordem é silêncio total. De um lado, a Fifa precisa ser coerente e manter punições duras, depois da sanção contra o uruguaio Luis Suárez - nove jogos e quatro meses de suspensão pela mordida em Chiellini. Mas, ao mesmo tempo, sabe do impacto que seria suspender jogadores brasileiros faltando três jogos para a final.

No entanto, na CBF, a leitura é outra. Dentro da entidade existe a suspeita de que a Fifa não quer ver o Brasil conquistando o sexto título mundial, pois isso seria muito ruim para o futebol como negócio. Por isso, a Federação age com rigor contra os brasileiros e é complacente com outras seleções.

Entre os casos citados por pessoas ligadas à entidade, estão a omissão com as declarações do técnico da Holanda, Louis Van Gaal, de que o Brasil poderia fazer um resultado suspeito contra Camarões para fugir de seu time nas oitavas de final. Também lembram que Robben admitiu ter simulado pênalti no jogo com o México e nada lhe aconteceu. E recordam da repercussão do pênalti em Fred no jogo de abertura, contra a Croácia.

A sensação é de que, quando há algo favorável ao Brasil, a repercussão é grande ou as penas são severas. Mas, quando os problemas são com os outros, não toma providências. O caso envolvendo Luis Suárez foi exceção pelo histórico do jogador.

OPERAÇÃO ABAFA 

A Fifa, porém, tenta não fazer muito alarde no caso da briga entre brasileiros e chilenos. Investiga se o problema teria começado ainda em campo. As imagens da confusão foram entregues aos juízes, que tentariam determinar quem brigou. A informação inicial era de que seriam "várias'' pessoas.

No domingo, a assessora de imprensa da Fifa, Delia Fischer, insistiu que Paiva não era o único envolvido na confusão. "Não singularizem ele'', recomendou aos jornalistas. Mas só ontem divulgou a punição a Rodrigo Paiva por ter sido expulso por agressão durante a partida realizada dois dias antes. A Fifa e a CBF já sabiam da expulsão desde sábado.

Rodrigo Paiva divulgou comunicado ontem, no site da entidade, em que comenta sua punição. "Respeito, como sempre respeitei, as decisões da Fifa. O caso está sendo investigado pelo Comitê Disciplinar da entidade, e o mesmo já tem à sua disposição provas da conduta reprovável por parte de membros da delegação chilena e que trarão luz à verdade dos fatos." Ele não poderá exercer suas funções no jogo com a Colômbia.

A impressão de que a Fifa está fechando os olhos para assuntos que poderiam prejudicar o Brasil não é compartilhada pela CBF. A punição a Rodrigo é tida como exemplo claro de que a Fifa está mesmo disposta a evitar que a seleção seja campeã.

Mas a Confederação também entende que, quando atacada, a Fifa recua. Um exemplo citado: os xingamentos de Parreira ao inglês Howard Webb. Em situação normal, Parreira teria sido punido. Não o foi porque a entidade não quer passar a imagem de intransigente.

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