Campeã Maurren Maggi colhe doações em site para poder treinar

Aos 37 anos, medalhista olímpica no salto em distância está insatisfeita com apoio financeiro que recebe atualmente

Agência Estado

28 Fevereiro 2014 | 11h49

SÃO PAULO - Insatisfeita com o apoio financeiro que tem hoje para poder treinar para as competições, a campeã olímpica do salto em distância em 2008, Maurren Maggi, resolveu agir com uma iniciativa curiosa para seguir em frente no atletismo. A brasileira de 37 anos criou um site na internet com o objetivo de arrecadar fundos visando, principalmente, a continuidade de sua carreira, cujo objetivo final é a participação nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio.

A atleta resolveu aderir plataforma de crowdfunding (financiamento coletivo) na internet, na qual o internauta poderá colaborar com doações para a saltadora por meio de um site. Sem patrocínios atualmente, Maurren usou essa página na internet não só para pedir ajuda financeira, mas também para ressaltar sua insatisfação com a falta de apoio em um ano em que as empresas estão mais preocupadas em investir recursos no futebol por causa da Copa do Mundo.

"Muitas pessoas se surpreendem quando falo que não consegui patrocínio para meus treinos. Pensam que por eu ser a Maurren Maggi os patrocínios estariam batendo à minha porta. Porém, a realidade é que preciso hoje de MUITO do seu apoio: meus amigos, familiares, fãs, jornalistas e atletas. Preciso que contribuam a partir de R$ 10 para me apoiar nessa nova jornada no crowdfunding, onde busco o patrocínio diretamente com o povo, com as massas. Peço que me ajudem a coletar os fundos para os meus próximos 45 dias de treino para que eu não tenha de parar", escreveu a atleta no site em que está coletando as doações.

Maurren estabeleceu uma meta de arrecadação de R$ 100 mil neste período de 45 dias e, para atrair o interesse do público, fixou diferentes "recompensas" que irão variar de acordo com o valor doado. Quem se dispor a dar R$ 30 já receberá um agradecimento da atleta publicado na rede social do respectivo doador. Já quem doar R$ 100 ganhará um vídeo personalizado de Maurren, no qual ela agradecerá ao apoio prestado. O ranking de "recompensas" criado pela atleta é extenso, sendo que a maior delas, prometida a quem se dispuser a pagar R$ 15 mil, prevê que a atleta "treinará com o selo da empresa do doador por 100 dias e postará nas suas redes sociais".

Por meio da plataforma de crowdfunding, que utiliza para colher doações, Maurren também enumerou os feitos da sua carreira, antes de admitir o drama que vive, mesmo na condição de campeã olímpica.

"Atualmente estou sem patrocínio. Diferentemente dos outros anos em que corri atrás de patrocinadores e obtive sucesso, neste ano de Copa do Mundo os olhos dos patrocinadores estão voltados para o futebol e os outros esportes ficam de lado. Sou uma atleta que nunca se deixou vencer e nunca medi esforços para representar o nosso Brasil e presentear meus compatriotas com novas medalhas. Quero mais uma vez participar de uma Olimpíada, e desta vez dentro de casa, em 2016, na minha terra natal", enfatizou, para depois esclarecer: "O valor de R$ 100 mil (meta a ser arrecadada) é somente para cobrir os custos e profissionais envolvidos no meu treino".

INSUFICIENTE

Maurren conta com o apoio de um banco estatal e da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), mas os valores que recebe têm sido insuficientes, de acordo com a atleta, que no passado participou de apenas quatro eventos do calendário do atletismo e acabou ficando fora do Mundial de Moscou.

Nesta sexta-feira, em entrevista ao SporTV, a saltadora destacou que precisou desembolsar dinheiro do próprio bolso para poder treinar. "Levei o ano de 2013 insistindo nessa situação de treinar, porque tenho meus fundos, mas a partir do momento em que achei injusto pagar do meu bolso para representar meu país, dei um basta. O Nélio (Moura, marido e treinador da atleta) me disse para esperar que íamos conseguir. Então, juntos, estamos apostando nessa nova situação, que é inovadora para o esporte. Talvez eu esteja abrindo portas para outros atletas que vivam nessa situação e querem continuar a competir. Não sou só eu que estou nessa situação, teve gente que me ligou e eu disse que vou tentar ajudar."

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