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Campeonatos estaduais ainda são um bom negócio

O Estado de S.Paulo

25 Abril 2012 | 03h 08

Campeões de São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul recebem mais do que o primeiro colocado da Taça Libertadores

Ao ser eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista, o Corinthians saiu da briga pelo prêmio de R$ 2,5 milhões que será destinado ao campeão. Mas deixou a competição com R$ 10 milhões, valor da cota de TV paga aos clubes da elite estadual - Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos -, além dos R$ 100 mil que ganhou por ter sido um dos oito times que alcançaram a segunda fase da competição. É um valor bem superior ao que receberá da Conmebol se for campeão da Libertadores, pouco mais de R$ 6,9 milhões.

Ou seja, se o Santos conquistar novamente o título paulista e o da Libertadores, receberá no total R$ 12,6 milhões pelo Estadual, quase o dobro do que entrará em seus cofres por conta da competição continental. Esses são valores de cotas de TV e de participação nos torneios. Não incluem, portanto, bilheteria e patrocínio.

As competições têm prestígios e interesses diferentes. Mas, financeiramente, disputar Estaduais como o Paulista é um bom negócio. É o que conclui estudo feito pela Brunoro Sport Business (BSB) sobre a movimentação financeira de 14 Estaduais disputados em 2011.

O trabalho encontrou, claro, realidades diversas. Mas nos principais centros - São Paulo, Rio, Minas Gerais e Rio Grande do Sul - jogar o Estadual faz bem para o caixa. "Os campeonatos estaduais fortes devem ser valorizados, pois são rentáveis para os clubes", entende Ricardo Hinrichsen, diretor de novos negócios da BSB. Ele lembra que foram os Estaduais que fortaleceram o futebol brasileiro.

Para o consultor, a discussão que se repete a cada início de temporada, sobre se a realização dos Estaduais é positiva ou não para os clubes, é feita sem bases sólidas. "O modelo (dos Estaduais) é questionado de forma superficial. É preciso discutir com bases científicas."

O estudo da BSB, feito com base em informações tornadas públicas por clubes e federações, não levou em conta apenas o ganho com as cotas pagas pelas federações (o dinheiro vem da venda dos direitos de transmissão pela TV). Considerou, também, o arrecadado com bilheteria e com patrocínio e publicidade no período dos Estaduais.

Dessa forma, o Corinthians, eliminado pelo Tolima na fase prévia da Libertadores (por isso, ganhou apenas R$ 178,5 mil na competição, mais 90% da bilheteria do jogo disputado no Pacaembu), faturou R$ 20,8 milhões de janeiro ao início de maio de 2011. Desse total, R$ 10,2 milhões, ou cerca de 49%, vieram da cota paga pela FPF..

O Santos, campeão paulista e da Libertadores no ano passado, pegou R$ 19,3 milhões no período do Estadual, R$ 12,1 milhões deles de cota e premiação da federação - 62,5% no total (o Corinthians ganhou mais do que o Santos com bilheteria e patrocínio). Campeão também da Libertadores, o time da Vila Belmiro recebeu de cota da Conmebol apenas R$ 4,8 milhões - também teve direito a 90% da renda líquida das partidas em que atuou como mandante, o que aumentou consideravelmente seus ganhos.

De modo geral, os times grandes dos quatro principais centros do País tiveram bom faturamento no período dos Estaduais. Os gaúchos Grêmio e Inter garantiram R$ 10,4 milhões e R$ 10,2 milhões, respectivamente.

No Rio, o Flamengo colocou no banco R$ 16,3 milhões em 2011, de janeiro a maio, em cotas da federação, prêmio, patrocínio e bilheteria. É justamente por isso que, após a eliminação da primeira fase da Libertadores este ano, a queda no Estadual é mais um duro golpe nas finanças do Flamengo. O clube recebeu R$ 6 milhões pela participação no atual Carioca, mas não tem patrocinador e a bilheteria dos dois jogos da decisão seria uma ajuda e tanto para suas combalidas finanças.

Abismo. Mas os quatro principais campeonatos não podem ser comparados com os outros. Quando se fala em Brasil, a maioria dos Estaduais é deficitário, e precisam de revisão, acredita Hinrichsen. "Não dá para comparar como se fosse uma coisa só."

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