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Carlos Burle e Kelly Slater estão escalados para encarar ondas gigantes no México

Todos os Santos recebe etapa do circuito mundial de surfe em ondas que podem chegar a 15 metros neste domingo

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Paulo Favero,
O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2016 | 15h00

O alerta verde foi dado para a realização neste domingo da etapa de Todos os Santos, no México, do Circuito Mundial de Ondas Grandes. O sinal positivo veio após a WSL (Liga Mundial de Surfe, da sigla em inglês) detectar que a previsão é ótima. "Parece que teremos picos de ondas de até 50 pés, ou algo em torno de 15 metros de face", explica Carlos Burle, que já está no local e será o único brasileiro presente.

O evento tem se tornado um grande sucesso para a WSL. Só para se ter uma ideia, a última etapa, em Jaws, na ilha havaiana de Maui, teve o recorde de audiência em um só dia na história da WSL, superando as decisões da etapa do Rio de Janeiro no ano passado, quando Filipinho Toledo venceu, ou a decisão do título mundial em Pipeline em 2014, com Gabriel Medina.

Por ser realizada em apenas um dia e em condições extremas, a transmissão via internet das etapas do Mundial de Ondas Grandes gera grande repercussão. "A WSL está investindo nessa categoria e os números da transmissão são excelentes", conta Burle, que terá a companhia de estrelas da modalidade como Kelly Slatere Josh Kerr, que participam do Circuito Mundial de Surfe, e Greg Long e Shane Dorian, outras lendas do surfe em ondas gigantes.

Para Burle, competir no México terá um gostinho especial. "Tenho uma ótima lembrança pois foi lá que em 1998 eu me sagrei campeão mundial. Foi meu grande título e quando minha carreira alavancou. Foi muito importante esse evento porque foi um movimento para que o surfe em ondas grandes tivesse mais visibilidade em outros países e competidores de outros lugares além do Havaí pudessem participar. Foi lá que começou nossa saga no surfe de ondas grandes e atualmente o Brasil é um referência em atletas."

O surfista explica que Todos os Santos é uma onda de fundo de pedra, que quebra na frente de uma ilha. É preciso pegar uma barco a partir da enseada e leva uma hora para chegar até lá. Ela tem uma formação para a direita e tem uma espécie de bolha. Quando está muito grande a onda quebra atrás dessa bolha. "É boa de se surfar porque, apesar do drop difícil, tem uma parede longa pela frente", conta.

Especialista no assunto, ele compara com outras duas ondas famosas do mundo: Nazaré, em Portugal, e Waimea, no Havaí. "Nazaré é fundo de areia misturada com a ponta do cânion submarino, é bem diferente, e não tem uma formação tão perfeita. Todos os Santos quebra sempre no mesmo lugar, é parecido com Waimea. Só que no México existe uma preocupação com as pedras no final da onda. Se perder a prancha, ela pode bater nas pedras", diz.

O surfista sabe muito bem o sufoco que é cair de uma onda grande. Na última etapa, em Jaws, machucou a perna e quase não se recuperou a tempo de competir no México. O evento também foi marcado por outras quedas e até o jet-ski do campeonato sofreu com as avarias. Tudo isso torna a competição de ondas grandes ótima para transmissão na internet pelo site da WSL e a tendência é que a audiência cresça cada vez mais.

A expectativa é de um dia de grandes ondas no México. A temperatura da água não e das mais fria e a previsão indica pela manhã que a temperatura do ar será 10°C e na parte da tarde chega a 17°C. Serão 24 surfistas no Desafio de Todos os Santos e a etapa vale pontos para o ranking mundial, que é liderado pelo havaiano Billy Kemper. "Minhas expectativas são as melhores possíveis. Eu vou ter oportunidade de competir contra os melhores surfistas de ondas grandes do mundo", vibra Burle.

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