Cerveja foi o primeiro doping

Sueco Hans Gunnar Liljenwall, atleta da equipe de pentatlo, foi pego no exame; laudo, noticiado no Estado em 25 de outubro de 1968

CARLOS EDUARDO ENTINI, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2012 | 03h07

Uma cervejinha para relaxar resultou no primeiro caso de doping detectado e punido em Olimpíada. O sueco Hans Gunnar Liljenwall, atleta da equipe de pentatlo, foi pego no exame. O laudo, noticiado no Estado em 25 de outubro de 1968, apresentou "concentração alcoólica excessiva no sangue durante a prova de tiro". Liljenwall e a equipe sueca vencedora do bronze devolveram as medalhas. O técnico da equipe confessou que "seus atletas tinham tomado cerveja antes da prova de tiro".

Os suecos não podiam alegar falta de informação. O álcool já era uma das substâncias presentes na lista criada em 1967 quando o Comitê Olímpico Internacional - COI - montou uma comissão médica para combater a dopagem. Em 2004, o controle passou à Agência Mundial Antidoping (WADA, sigla em inglês). Atualmente, as substâncias banidas no esporte são cerca de 240. A Olimpíada de 1968, de inverno em Grenoble na França e de verão no México, foram as primeiras a ter uma fiscalização contra o doping.

A dopagem já havia feito vítimas em jogos olímpicos. Em 1960, em Roma, o ciclista dinamarquês Knut Jensen morreu durante a prova de 100 km. Outros dois atletas da mesma equipe desmaiaram. Suspeitou-se de insolação: a temperatura naquele dia chegou a 33.°. Mas a autópsia comprovou o uso de anfetaminas. O técnico dinamarquês assumiu o uso. Em sua defesa disse que não a usou para dopar, mas para estimular os atletas.

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