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Cesar Cielo busca retomada na carreira e vaga no Mundial

No Troféu Maria Lenk, nadador tenta redenção após mais de um ano fora de competições oficiais

Nathalia Garcia e Rafael Franco, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2017 | 07h00

Recordista mundial e olímpico dos 50 metros livre e também dono da melhor marca do mundo dos 100 metros livre, Cesar Cielo viveu a maior decepção da carreira ao não conseguir vaga na Olimpíada do Rio, quando fracassou no Troféu Maria Lenk. Um ano depois daquele fiasco, o campeão olímpico dos 50m livre em Pequim-2008 e dono de seis medalhas de ouro em Mundiais de Esportes Aquáticos retorna ao mesmo Maria Lenk, o Campeonato Brasileiro, que começa nesta terça-feira no Rio, para iniciar a almejada “redenção”.

Para isso, Cielo, 30 anos, adotou a estratégia de não se cobrar tanto e não carregar nas próprias costas o peso que o consagrado currículo naturalmente já lhe impõe no que diz respeito à conquista de resultados expressivos. No Maria Lenk, o seu objetivo será, primordialmente, nadar mais rápido que os adversários para conquistar índice para o Mundial de Natação, que ocorre de 14 a 30 de julho, em Budapeste, na Hungria.

Embora esta seja a última seletiva para garantir vaga na competição, o astro parece agora estar administrando melhor a pressão e chega ao maior evento da natação nacional mais confiante e crente de que vem fazendo o que precisa para ser o “melhor Cielo possível” na água.

“Voltei para dar o melhor de mim. Estou treinando muito bem, como não fazia há três ou quatro anos. Estou em uma fase de me redescobrir na piscina. Quero ir para o Mundial, mas não me pressiono tanto para isso. Na verdade, aqui no Pinheiros quero nadar bem, mas também quero servir como um mentor, com minha experiência. Quero ajudar e ser útil nesse processo rumo aos Jogos Olímpicos de 2020, mesmo se eu não estiver lá”, projetou Cielo.

Em março, ele participou do Torneio Regional da 1.ª Região, organizado pela Federação Aquática Paulista, no Pinheiros, clube que voltou a defender em fevereiro – depois de ter se consagrado como nadador do tradicional clube paulistano, passou duas temporadas como atleta do Flamengo, uma pelo Clube de Campo de Piracicaba e em 2015 e 2016 defendeu o Minas Tênis Clube.

Em março, porém, Cielo não fez a sua verdadeira volta às competições oficiais, porque usou o evento de menor porte apenas para “quebrar o gelo” e para avisar que “está de volta”, como ele próprio definiu após vencer os 50 metros livre do torneio regional realizado na mesma piscina do clube onde, em 2009, o nadador fez história e estabeleceu o recorde mundial da distância (20s91).

Agora, no Maria Lenk, o nadador fixou como objetivo dar o máximo para não correr o risco de amargar mais uma decepção, como a do ano passado. E, se não render o que espera, mira assegurar, no mínimo, o seguinte: “Quero bater na borda e saber que eu deixei o que sei fazer (de melhor), uma coisa que não tenho feito nos últimos anos”.

Ao retornar ao Pinheiros, Cielo também retomou a velha parceria vitoriosa com o técnico Alberto Pinto da Silva, mais conhecido como Albertinho, com quem ele obteve os seus maiores feitos da sua carreira. Hoje principal treinador da equipe de natação do clube paulistano, Albertinho não esconde a empolgação ao comentar essa volta de Cielo às piscinas novamente como seu comandado.

“Há muito tempo eu não via o Cesão tão feliz quanto eu vejo ele todo dia. Tudo isso projeta um resultado (positivo), como ele já teve antes dessa fase negativa”, disse Albertinho.

Cesar Cielo vai reencontrar, no Troféu Maria Lenk, Ítalo Duarte. O nadador acabou tirando a vaga do campeão olímpico no Rio ao levar a melhor sobre o ídolo na prova dos 50 metros livre. E, além do algoz de Cielo em 2016, o Maria Lenk terá a presença dos maiores nadadores e nadadoras do País. Entre eles estarão os finalistas olímpicos Etiene Medeiros, Bruno Fratus, Marcelo Chierighini e a medalhista de bronze nos Jogos do Rio-2016 na maratona aquática, Poliana Okimoto. Ana Marcela Cunha, outra maratonista aquática, também tem participação confirmada.

Entre os nomes da nova geração, Guilherme Costa, da Unisanta, será um dos destaques depois de ter se tornado o novo recordista sul-americano dos 1500m livre, com o tempo de 15min05s23. Do mesmo clube, por sinal, são as fundistas Poliana e Ana Marcela e os velocistas Matheus Santana e Felipe Ribeiro de Souza, além de nomes como Felipe França, Thiago Simon, Leonardo de Deus e Joanna Maranhão.

O Maria Lenk começa nesta terça-feira e vai até sábado. As eliminatórias das provas começam sempre às 9h30, enquanto as finais, até quinta-feira, serão iniciadas às 17h30. Na sexta e no sábado, as disputas por medalhas começarão às 19 horas.

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