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Cifras obscenas

O futebol é atividade capitalista, na maior parte do planeta rege-se pelo livre mercado e grandes clubes se transformaram em multinacionais de entretenimento. Times populares viraram corporações que visam ao lucro e à expansão da marca, não apenas à conquista de taças e títulos como outrora. Essas glórias são suplementares, embora necessárias ao sucesso das estratégias de marketing.

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Antero Greco

12 Fevereiro 2016 | 05h57

Tudo bem, sabemos disso. Funciona para eles a lei do quem pode mais chora menos e vida que segue. Não é por acaso que muitos têm ações em bolsa e despertam a cobiça de biliardários com fortunas originadas de fontes tradicionais ou obscuras. Não é à toa que autoridades de diversos países desconfiam que, por trás da paixão, a máquina de lavagem de dinheiro esteja ligada a todo vapor.

A briga por espaço na mídia, na publicidade, na exploração de mercados e, também, na eficiência dentro de campo, tem provocado lances ousados e bizarros. Eis os chineses, empolgados com o brinquedo do jogo de bola, a despejar dólares e euros aos milhões com a sem-cerimônia de quem paga um cafezinho no boteco. Botaram na cabeça que farão um campeonato atraente e, para tanto, saíram à caça de talentos, aqui, na Europa, alhures. Se não der certo, não tem problema; logo voltarão atenção para outra coisa que lhes possa proporcionar lucros.

A ciranda descamba para movimentos exagerados, no mínimo de megalomania. O objeto de desejo, no momento, seria Neymar. Dia sim, dia não, pingam notícias de equipes interessadas em tirá-lo do Barcelona. Por se tratar de um astro, natural que desperte a cobiça. E, assim como profissionais do quilate dele, cedo ou tarde mudará de casa. Pelos transatlânticos de interesses econômicos que carregam, não convém passar a carreira só numa casa, mesmo da finura e brilho do Barça.

Porém, agridem os olhos e consciência as cifras citadas. Numa hora se fala que o Real Madrid topa pagar a multa de rescisão (o contrato do moço vai até 2018) e depositar para o rival em torno de 900 milhões de reais. Em seguida, se diz que o PSG bancaria isso e muito mais. Daí, entra o Manchester City, com aceno de mais de 1 bilhão. Sem contar a grana para acertar com Neymar – dinheiro que, se ele tiver um pouquinho de traquejo, serve para garantir o sustento de umas sete gerações. Mesmo que gaste com iates e jatos.

Nada contra a bufunfa. Cada um a gasta como melhor lhe aprouver, sobretudo se vier do trabalho. E as instituições investem no que quiserem; se bem que muitas quebram por atirar recursos pela janela. Noves fora questões como valor de imagem do astro, jogadas publicitárias para aumentar o número de fãs, estratagemas esportivos para ganhar torneios, os valores beiram à obscenidade. Servem para reforçar a convicção de muito tubarão globalizado de que todo homem tem seu preço. Quanto é, assina-se o cheque e se obtém a mercadoria.

Mesmo que o jogador veja o saldo bancário explodir de tantos zeros, no fundo será parte de engrenagem, um objeto, um troféu, um símbolo na galeria de um todo-poderoso que lida com o deus dinheiro. O rapaz pode considerar-se acima dos demais mortais da profissão. Na prática, não passa de capricho – incensado, tratado a pão de ló, mas capricho. Perde-se um quê de humanidade.

Amarelo no Verde. Estaduais são casca de banana. Por mais que, ano a ano, diminua a importância das disputas bairristas, elas conseguem fazer estragos. Taí o Palmeiras pra confirmar. Disputou três jogos – ganhou o primeiro e empatou os outros dois – e já sente a temperatura subir.

O empate por 0 a 0 com o Oeste, anteontem, foi marcado por vaias da torcida e por desempenho apagado da maior parte da trupe de Marcelo Oliveira. O técnico voltou a ser criticado pelo fato de ter muitas opções e, aparentemente, não ser criativo ao lidar com elas. A cobrança de fato virá na Libertadores. Que Marcelo e pupilos se preparem.

Fala-se em milhões de euros e dólares por um atleta como se fossem troco para cafezinho.

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