COB dá uniformes para obter votos

Para seduzir os eleitores de países mais "pobres", o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) oferece uniformes. O objetivo é angariar os 26 votos necessários à vitória da candidatura do Rio na eleição do dia 24, no México, que escolherá a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Foram ofertados 75 conjuntos de uniformes a cada um dos 41 comitês votantes. O lobby inclui, também, negociações sobre futuras candidaturas com os "irmãos" da América do Sul - o Rio pode abdicar de concorrer aos Jogos Sul-Americanos de 2006 em favor de Bolívia, Chile, Panamá ou Peru. As roupas esportivas ofertadas viriam da cota que o COB recebe, por contrato, da empresa que veste a delegação brasileira. O presidente da entidade, Carlos Arthur Nuzman, diz que a estratégia é legítima. "Não há nada de ilegal. Mas é claro que somente os países com menos recursos devem aceitar", explicou o dirigente, que custeou viagens, alimentação e hospedagem do eleitores que vieram ao Brasil para os VII Jogos Sul-Americanos. Segundo ele, San Antonio, a candidata norte-americana, fez o mesmo, convidando para visitas, com pagamento de despesas, os votantes. Outra oferta do COB aos países da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), que escolhem a sede do Pan, é organizar congressos de Marketing e Negócios no Esporte em 2003, 2005 e 2007, em caso de vitória. A eleição será decidida por 42 países. Brasil, Argentina, Canadá, Colômbia, Cuba, Estados Unidos, México, Porto Rico e Venezuela têm direito a dois votos, por já terem realizado Pan-Americanos. Para vencer, são necessários 26 em 51 votos. Com o apoio da maioria da Organização Desportiva Sul-Americana (Odesur), que carrega 18 votos, a briga principal é pelos eleitores da América Central. A embaixatriz Rosário Amaral, mulher do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sérgio Amaral, foi convocada a ajudar. Ela nasceu na República Dominicana - onde ainda mora a família - e já pediu apoio aos dirigentes locais para o Rio. Um dirigente sul-americano, que prefere o sigilo, considera a falta de apoio do Comitê Olímpico Americano um obstáculo à candidatura de San Antonio, que, nas apresentações da candidatura, foi defendida por políticos locais. "A justificativa dos dirigentes esportivos dos Estados Unidos é a de que é preciso fortalecer os países das Américas ante os outros continentes. Para isso, eles precisam parar de ser sede de competições e deixar os outros países realizarem", confidenciou o dirigente que pediu anonimato.

Agencia Estado,

15 Agosto 2002 | 23h09

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.