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Copa 2014

Com festa e alguns problemas, Corinthians inaugura Arena em Itaquera

Vítor Marques - O Estado de S. Paulo

10 Maio 2014 | 11h 21

20 mil torcedores acompanharam a comemoração que marca início do funcionamento do estádio

Atualizado às 13h

SÃO PAULO - Com homenagens e clima festivo, o Corinthians está inaugurando na manhã deste sábado a Arena Corinthians, estádio que receberá seis jogos da Copa do Mundo em São Paulo. A partida que marca a abertura da arena estava marcada para as 10 horas, mas só teve início às 10h50, diante de um público de 20 mil torcedores - a capacidade total para o Mundial será de 68 mil, mas o Corpo de Bombeiros limitou a presença da torcida neste fim de semana.

O estádio suportou bem jogos descomprissados e um público de 20 mil pessoas. Isto não significa, porém, que está pronto para Copa do Mundo, a 32 dias de Brasil e Croácia. A sensação que se tem é de uma casa ainda em obras. O que não apaga a bela homenagem que o Corinthians fez a seus eternos ídolos, como Rivellino, autor do primeiro gol do estádio, ao saudoso presidente Vicente Matheus, a Osmar Santos, a voz do gol de Basílio, em 77, e ao mito Ayrton Senna, tricampeão mundial de Fórmula-1.

O jogo, na verdade, consistiu em diversas partidas de apenas 15 minutos, com a participação de 110 jogadores e ex-jogadores, treinadores entre grandes ídolos da história corintiana. Ao todo 150 foram homenageados antes do apito inicial. Um deles foi o ex-presidente Vicente Matheus, já falecido. Sua esposa, Marlene Matheus, recebeu uma placa para lembrar as contribuições do ex-dirigente na conquista do novo estádio.

Os demais homenageados também receberam uma placa com a inscrição "Craques Eternos". Também houve destaque para ídolos como Basílio, cujo gol decisivo na final do Paulistão de 1977, foi exibido no telão do estádio. Ayrton Senna, que era corintiano, também foi lembrado em vídeo.

Durante as homenagens, uma pequena parte da torcida nas arquibancadas protestou contra o atual presidente, Mario Gobbi. Enquanto isso, Andrés Sanchez, ex-presidente e responsável pelas obras do estádio, era ovacionado. "A gente lutou muito para conseguir essa p.... A gente tem que ter noção de reconhecer nossos ídolos que jogaram pelo Corinthians", declarou Sanchez.

Para este jogo festivo, que ainda está sendo disputado, foram liberados apenas as arquibancadas fixas do Itaquerão. As temporárias, montadas para a Copa do Mundo, ainda não estão totalmente prontas. Ao todo, apenas três setores receberam público, com ingressos variando de R$ 50 a R$ 150. Os preços mais populares ficaram no Setor Leste, onde se concentraram as faixas das torcidas organizadas, como Gaviões da Fiel, Pavilhão 9 e Camisa 12. No outro lado do estádio, no Setor Oeste, estavam os bilhetes mais caros. 

Daqui até a Copa haverá uma corrida contra o tempo para terminar a instalação das arquibancadas provisórias, no setor norte, corrigir acabamento gerais em portas e pisos, embutir cabos à mostra e sumir com andaimes. Bancos de reservas, área de aquecimento, estacionamento e entorno também fazem parte da lista de instalações não finalizadas. O torcedor que foi ao estádio, no entanto, não se preocupou muito com tudo isto. Orgulhosos, muitos deles emocionados, queriam saber de tirar fotos com o celular, de selfies e, claro, usar as redes sociais pelo celular, embora o sinal 3G estivesse péssimo e instável.

"Vai ficar pronto aos 45 minutos do segundo tempo, mas vai dar tudo certo", afirmou o assistente de logística Alessandro Dorta, de 41 anos, que levou cerca de 40 minutos para chegar ao Itaquerão, partindo de Santo André. Ele pegou um trem, um metrô e desceu na estação Itaquera, a cerca de 600 metros do estádio. Dorta carregava uma faixa, feita sexta-feira à noite, enaltecendo o novo estádio. "Nunca imaginei uma coisa dessa, estou realizando um sonho."

A chegada dos torcedores ao Itaquerão, uma das preocupações da Fifa e do governo estadual, foi tranquila, sem tumultos. Boa parte da torcida utilizou transporte público, principalmente o metrô. A estação Itaquera fica a cerca de 700 metros do estádio. Wagner Triper, de 23 anos, mora em Rio Grande da Serra e veio ao Itaquerão de transporte público. "O acesso foi fácil, mas lá fora tem muita obra inacabada."

Torcedores que conversaram com a reportagem disseram que, embora o ingresso tivesse lugar marcado, ontem o assento era livre. "A gente sabe que na Copa não será assim", disse um deles. A inauguração do Itaquerão não foi considerado um evento Fifa, portanto o nível de exigência foi outro. O grande (e talvez) único teste sério acontecerá no próximo domingo, às 16h, quando o Corinthians enfrenta o Figueirense pelo Campeonato Brasileiro. Mais que um teste para o time de Mano Menezes é um desafio para o estádio de abertura da Copa, que deve receber 50 mil pessoas daqui a uma semana.

 

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