Comitê minimiza prejuízos do furto

Nota dos organizadores não aponta danos nas relações entre Rio e Londres e repudia ação dos funcionários

SÍLVIO BARSETTI , TIAGO ROGERO / RIO, O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2012 | 03h07

Em nota emitida ontem à noite, o Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016 deu a entender que não houve desgaste na relação de seu presidente, Carlos Arthur Nuzman, com o do comitê londrino, Sebastian Coe, por causa do furto de arquivos dos Jogos de Londres por funcionários do Rio 2016, durante a última Olimpíada.

De acordo com a nova posição do Rio 2016, o assunto foi tratado apenas entre os diretores de Relações Humanas e de Tecnologia dos dois comitês. Os de Londres procuraram seus pares, do Rio 2016, "informando que cópias não autorizadas de arquivos do Comitê dos Jogos de 2012 haviam sido feitas por alguns funcionários do Rio 2016".

Solicitavam a colaboração dos brasileiros para que as cópias fossem localizadas e destruídas. Isso foi feito, segundo a direção do Rio 2016, que também afastou os dez funcionários envolvidos no incidente.

A cúpula do Rio 2016 não entendeu que tenha havido dolo dos funcionários e, por isso, não os demitiu por justa causa. O Jurídico do comitê, no entanto, ainda vai analisar se cabe ou não algum processo contra as dez pessoas, cujos nomes vêm sendo mantidos em sigilo.

Carlos Nuzman recebe informações sobre a repercussão do caso todos os dias, mas não vai se manifestar sobre o assunto por enquanto. Quer evitar a exploração política do episódio, segundo contou a pessoas próximas. Nuzman é candidato à reeleição do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O pleito será em outubro. Ele busca seu quinto mandato consecutivo.

Na nota do Rio 2016, o comitê explicou que os funcionários "não precisavam ter copiado os arquivos sem autorização. Bastava solicitá-los ao LOCOG (comitê londrino), que vinha compartilhando informações de maneira colaborativa". Ainda consta do documento que "ao ser comunicado, o Rio 2016 expressou repúdio" ao comportamento dos funcionários e "iniciou a análise dos fatos". "Em paralelo, Rio 2016 e LOCOG agiram de forma conjunta e rápida para que os arquivos fossem localizados, devolvidos e destruídos".

A demissão foi formalizada em 18 de setembro. "Eles agiram por iniciativa própria, sem o conhecimento de seus chefes imediatos e de nenhuma outra liderança do Rio 2016." De acordo com o Comitê Rio 2016, os londrinos se deram por satisfeitos com as medidas tomadas.

Em novembro, no Rio, funcionários dos dois comitês vão se reunir para "troca de conhecimentos" sobre aspectos funcionais da olimpíada. Esse encontro é uma exigência do Comitê Olímpico Internacional (COI).

A assessoria de imprensa do Ministério do Esporte publicou uma nota em seu site, com declarações atribuídas ao ministro Aldo Rebelo sobre o caso. "Trata-se de incidente lamentável, envolvendo duas entidades privadas - os comitês organizadores dos Jogos de Londres 2012 e Rio 2016. O Comitê Rio 2016 agiu corretamente ao apurar o incidente, junto com o Comitê de Londres, e punir os autores. O comportamento dessas pessoas foi inaceitável e não expressa a atitude de confiança e harmonia que tem marcado a cooperação dos dois países na preparação dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos sob sua responsabilidade."

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