Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Comitê Rio-2016 acumula R$ 100 milhões em dívidas com fornecedores

São nove credores, a maior parte de empresas contratadas para entregar material usado em estruturas temporárias dos Jogos

Roberta Pennafort/RIO, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2017 | 07h00

Passado um ano e dois meses da Olimpíada, o comitê organizador ainda acumula cerca de R$ 100 milhões em dívidas com fornecedores. São nove credores, a maior parte empresas contratadas para entregar material usado em estruturas temporárias dos Jogos do Rio. Restam também valores a serem reembolsados por ingressos não utilizados: R$ 1,2 milhão.

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Um dos credores é a GL Events, que forneceu instalações e está processando o comitê para receber R$ 52 milhões. O processo está em fase de execução da dívida, que, com as custas judiciais, pode chegar a R$ 58 milhões. A empresa tentou negociar o pagamento, mas acabou recorrendo à Justiça diante da falta de perspectiva. 

"Assim como outros fornecedores, firmamos contratos acreditando estarmos seguros, visto que o Comitê Olímpico Internacional (COI) possui uma garantia assinada pelos governos municipal e estadual para cobrir eventuais problemas e dívidas. Desta forma, entende-se que o COI deveria quitar as dívidas com os credores e depois executar a garantia", informou a GL Events, por nota.

A reportagem entrou em contato com o governo do Estado e a prefeitura para que se manifestassem sobre a possibilidade de honrar as dívidas da Olimpíada. O Estado respondeu que "o balanço financeiro do Comitê Rio 2016 ainda não foi  fechado, portanto, o governo não tem como comentar". A prefeitura afirmou por nota que " a dívida deve ser cobrada do Comitê Rio-2016 até serem exauridas todas as medidas de cobrança." O Comitê Rio 2016 preferiu não se pronunciar.

Afora as dívidas com credores, ainda há 2.400 pessoas que aguardam o reembolso por ingressos. São os casos de quem comprou e revendeu para o próprio comitê, de modo a receber o dinheiro do volta, ou que chegou ao jogo e descobriu que seu lugar havia sido extinto.

O Procon-RJ recebeu cerca de 400 reclamações de pessoas que venderam os seus ingressos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos e não tiveram reembolso do comitê. Em dezembro do ano passado, o comitê foi multado em R$ 588.216,15 pela demora no pagamento por esses bilhetes devolvidos. A multa não foi paga, segundo o Procon, e a cobrança foi enviada para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para ser inscrita na Dívida Ativa. 

Uma alegação para o não-reembolso é a falta de dados dos compradores para que o pagamento fosse efetuado. Para serem ressarcidas, as pessoas têm de enviar nome, CPF, e-mail usado na compra e dados bancários para o e-mail reembolso@rio2016.com. O período para a efetuação dos depósitos deve terminar ao fim desse mês.

Já o Comitê Olímpico do Brasil (COB) enfrenta na Justiça moradores de 1.490 apartamentos de três condomínios da Vila Pan-Americana. Construídos para abrigar os atletas dos Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio em 2007, os 17 prédios foram comercializados para moradia. 

Desde 2014, os moradores pedem indenização por danos materiais e morais causados pelos problemas estruturais que enfrentam. As ruas internas e garagens sofreram afundamentos, devido à instabilidade do terreno. Também são réus da ação a prefeitura e a construtora Agenco.

"Eles não têm credibilidade, agora, menos ainda. Muitos moradores compraram porque era a vila dos atletas do Pan. Foi uma grande frustração", diz o advogado dos  moradores, Paulo Roberto de Melo Junior.

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