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Desafios de Spa

Reginaldo Leme

A Fórmula 1 está em Spa-Francorchamps, um dos clássicos circuitos que ajudaram a construir a fama, o glamour e a importância que a categoria conquistou ao longo dos 65 anos de sua história. Eu não conheci o antigo circuito, que tinha 14 quilômetros e foi vetado em 1969 por questões de segurança. Mas desde 1983, quando voltou a sediar o GP, tenho acompanhado as muitas reformas que foram feitas no autódromo, principalmente a mudança de local dos boxes, tornando-o moderno, mas com um circuito desafiador, que é o preferido de todos os pilotos. Longas retas, uma combinação de curvas rápidas, lentas, médias, trechos em descidas, subidas, chicanes e, ainda, duas das mais famosas curvas do mundo, a Eau Rouge e a Blanchimont. Tudo isso é Spa-Francorchamps.

Com 7.004 metros, é a pista mais longa das 19 que compõem o campeonato e, por isso, administrar o uso dos atuais sistemas de recuperação de energia (ERS e Kers) será fundamental. A escolha dos pneus médios e macios mostra que a Pirelli está apostando em uma corrida cheia de alternativas, mesmo sabendo que, historicamente, costuma ter muitas ultrapassagens, o que explica o fato de que, nos últimos 12 anos, em apenas quatro a vitória ficou com quem largou na pole. Spa é um circuito que merece isso por sua importância. Recebe pela 47.ª vez o GP da Bélgica, que completa 59 edições (outras 10 foram em Zolder e duas em Nivelles). Apenas quatro países somam mais GPs do que a Bélgica. A Inglaterra tem 65 (48 em Silverstone, 12 em Brands Hatch e cinco em Aintree); a Itália, 64 (63 em Monza); a Alemanha, 61 (34 em Hockenheim, 26 em Nurburgring e um em Berlim); e as 61 edições do GP de Mônaco aconteceram sempre no mesmo local.

As retas longas de Spa representam boa chance para a Williams. Enquanto o FW-36 tem demonstrado ser o carro que mais se aproxima dos Mercedes, nesse tipo de pista a Red Bull, com motor Renault, perde muito para as equipes que usam motor Mercedes. Salvo algum fato excepcional, como foi o princípio de incêndio no carro de Hamilton na Hungria, a luta de hoje pela pole será entre ele e Rosberg. O curioso é que até a quinta corrida do ano o inglês tinha quatro poles contra apenas uma de Rosberg, mas o alemão passou à frente e lidera esse placar em 6 a 4. Quanto ao número de vitórias, a vantagem ainda é de Hamilton (5 a 4), mas Rosberg disparou no número de voltas na liderança (342 a 258). Mesmo Daniel Ricciardo, com as duas vitórias no ano, só liderou 35 voltas. Não há indício mais forte do que este para esperarmos uma decisão de título restrita aos dois pilotos da Mercedes. Mesmo com a última corrida valendo pontos em dobro, nenhuma rival chegará a Abu Dabi com chance.

Três brasileiros na Fórmula-E. Depois de três bons períodos de treinos, Nelsinho Piquet assinou contrato com o Team China Racing para ser o seu piloto no ano de estreia da Fórmula-E, junto com outros dois brasileiros que já estavam confirmados, Bruno Senna e Lucas di Grassi. A Fórmula-E é primeira categoria a contar com carro 100% elétrico e terá outros pilotos que já estiveram na F-1, como Nick Heidfeld, Sebastian Buemi e Jarno Trulli.

Neste primeiro ano de Campeonato Mundial, dez provas serão disputadas, apenas em circuitos de rua, começando por Pequim no dia 13 de setembro e terminando em Londres em 27 de junho próximo. Também estão no calendário Berlim, Long Beach, Miami, Mônaco e duas provas na América do Sul (Punta Del Este e Buenos Aires). A prefeitura do Rio de Janeiro perdeu a reserva de data que tinha para novembro, mas quer se candidatar para o próximo campeonato.

Brasil na GT. O circuito de Slovakia Ring recebe neste fim de semana a quarta etapa do FIA GT, que conta com cinco brasileiros. Cesar Ramos corre em dupla com Laurens Vanthor pela equipe Audi-Bélgica, enquanto as duplas Cacá Bueno/Sergio Jimenez e Matheus Stumpf/Valdeno Brito defendem o BMW Sports Trophy Brasil BMW. O campeonato é disputado em rodadas duplas e o SporTV transmite ao vivo as duas provas (na manhã de sábado às 9h45 e na de domingo às 7h40).