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Desgaste físico preocupa Sabella

GONÇALO JUNIOR - O Estado de S.Paulo

10 Julho 2014 | 02h 02

Argentino teme cansaço da equipe para enfrentar a Alemanha, que terá um dia a mais para se refazer até a final, no domingo

O técnico Alejandro Sabella mostrou alegria com a classificação histórica para a final da Copa depois de um longo jejum - a última decisão da Argentina foi no Mundial de 1990 -, mas não escondeu a preocupação com o desgaste físico dos atletas.

"É uma grande alegria, foi um jogo muito difícil. A Argentina tem dois títulos, agora chegamos à final e vamos ver o que podemos fazer. Estamos cansados, mas vamos dar 100% para conseguir o título", disse.

A Argentina foi a equipe que mais vezes jogou no horário das 13 horas - quatro dos cinco jogos disputados. Sabella vinha se queixando do pouco tempo de recuperação entre uma partida e outra. Nos dois dias anteriores à semifinal, por exemplo, os jogadores fizeram apenas treinos regenerativos.

Sabella também lamentou o fato de ter jogado um dia depois da Alemanha, adversário da final, no domingo. "Vamos avaliar os 'feridos de guerra' amanhã (hoje)", disse o treinador. "Temos de admitir que o jogo contra o Brasil já estava decidido para os alemães no primeiro tempo e eles puderam administrar. Nós jogamos um dia depois e ainda suamos até a última gota", comparou.

Em relação à final, o treinador argentino projeta um jogo muito difícil. "Eu admiro dois países no futebol: Brasil e Alemanha. A Alemanha sempre teve força física, tática e mental. Quando fez história, tinha jogadores com características sul-americanas, como, por exemplo, Matthäus e Beckenbauer", elogiou Sabella.

"Com essa questão que os filhos de estrangeiros podem ser nacionalizados, ficaram ainda mais fortes. É um país de primeiro mundo que sabe o que significa trabalhar uma equipe a longo prazo. Eles têm todas essas virtudes e ainda teremos de jogar um dia depois deles", queixou-se.

Sonho. Quando era jogador, Alejandro Sabella sonhou algumas vezes em ser campeão do mundo. Poderia ter sido e não foi. Em 1986, no momento da convocação final para a seleção argentina que disputaria a Copa no México, ele foi preterido por Carlos Tapia e Ricardo Bochini. Viu o grupo comandado por Carlos Bilardo ser campeão derrotando a Alemanha, mesma rival que ele enfrentará domingo, no Maracanã.

Como técnico, aos 59 anos, está a uma partida de preencher o maior desejo de sua vida. "Eu tive a ilusão umas duas ou três vezes de levantar a taça de campeão do mundo. É uma ilusão muito bonita de se ter", diz ele. O maior feito de sua carreira até agora foi a conquista da Taça Libertadores da América, em 2009, com o Estudiantes. Na final, venceu o Cruzeiro, dentro do Mineirão, por 2 a 1.

Méritos. Sabella também fez questão de dividir os méritos da classificação para a final com os jogadores. Primeiro, fez elogios ao volante Mascherano, um dos melhores em campo. "Mascherano é um símbolo, um baluarte da nossa seleção. Depois que passamos pelas semifinais, ele tirou um grande peso dos ombros. É um símbolo dentro e fora de campo e vários treinadores quiseram levá-lo para os clubes que dirigiam", declarou.

Jogadores como Enzo Perez, que foi bem ao substituir Ángel Di María, Marcos Rojo e o próprio goleiro Romero, herói da classificação com a defesa de dois pênaltis, foram citados de maneira especial. Eles haviam sido bastante criticados pela imprensa argentina, que questionava a presença dos três no elenco. "Eles mostraram que têm condições de vestir a camisa da nossa seleção", afirmou.

O treinador também fez questão de compartilhar a classificação com os torcedores, tanto aqueles que acompanham a seleção no Brasil como os que estão na Argentina. "Eu imagino a alegria do povo. Felizmente, fizemos viagens curtas e eles puderam nos acompanhar. Essa classificação é para todos os argentinos." / COLABOROU GLAUCO DE PIERRI

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