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Yorick Jansens/AFP

Doping 'mecânico' é nova ameaça que surge ao ciclismo em 2016

Belga foi pega com motor elétrico em bicicleta

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Gustavo Zucchi,
O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2016 | 10h00

Um novo problema surgiu no ciclismo faltando aproximadamente 200 dias para os Jogos Olímpicos do Rio: o doping "mecânico". O esporte, já abalado após o banimento do sete vezes campeão da Volta da França, Lance Armstrong, viu no último final de semana a belga Femke van den Driessche ser pega com um motor elétrico em sua bicicleta. 

"O doping mecânico/eletrônico se refere ao atleta ou equipe que utilizar meios não convencionais e proibidos pela União Ciclística Internacional para obter vantagem através dos seus equipamentos de competição. Já existiram alguns comentários e publicações de supostos atletas utilizando esses métodos em meados de 2010, mas só agora aconteceu o primeiro caso oficial", explicou em nota a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). 

O caso em questão foi registrado no Tour de Flandres, quando Fabian Cancellara ultrapassou muito facilmente Tom Boonen (confira no vídeo abaixo). Uma semana mais tarde, a cena se repetiria na volta Paris-Roubaix. Outro caso emblemático é na La Vuelta 2016, quando Ryder Hesjedal caiu, mas a tração de sua bicicleta continuou funcionando. Nenhum dos casos teve doping mecânico comprovado. 

Já com Van den Driessche, o pequeno motor elétrico foi encontrado pela UCI (a União Internacional de Ciclismo) e o doping, confirmado. Segundo o jornal italiano La Gazzetta Dello Sport, que teve acesso as informações sobre a fraude, o propulsor encontrado com a ciclista belga estava localizado no tubo do selim, não geraria ruido e sua capacidade seria a de adicionar entre 50 e 500 watts de potência as pedaladas. Para se ter uma ideia de comparação, um atleta de elite gera no máximo 420 watts de potência durante uma prova. Ele seria ligado diretamente na engrenagem do pedal, auxiliando o movimento.

"Com toda certeza a UCI e o Comitê Organizador estarão trabalhando para que essa situação não aconteça nos Jogos do Rio 2016.", tranquilizou a CBC. Para a  ciclista belga, a punição pode ser de até seis meses, com uma multa que pode chegar aos 200 mil francos suíços (aproximadamente 190 mil euros). 

FUTURO

Ainda segundo o jornal italiano, o pequeno motor encontrado não é o que se tem de mais moderno no "doping mecânico" para o ciclismo. A novidade que deve trazer problemas para o esporte são as rodas eletromagnéticas. Instalado internamente no pneu dianteiro, ele gera de 20 a 60 watts de potência, uma ajuda considerável para qualquer ciclista. O preço seria 10 vezes maior que o do pequeno motor elétrico: 200 mil euros. 

"É uma preocupação que eu tenho, algo que eu apresentei à Comissão Independente da UCI quando me sentei com eles e disse, 'Do meu ponto de vista e tendo em conta os rumores, aconselho vocês a implementar controles e medidas para começar a monitorizar as bicicletas com maior regularidade'", disse o atual campeão da Volta da França, Chris Froome, que também chegou a ser acusado de dopagem em 2015. 

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