Acervo/Reprodução
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Em 1956, Jesse Owens torceu pelo 'canguru brasileiro'

Ídolo declarou ser admirador de Adhemar Ferreira da Silva e falou sobre o potencial do Pais

Liz Batista, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2012 | 03h06

SÃO PAULO - Jesse Owens, um dos maiores nomes da história do atletismo, juntou-se aos brasileiros na torcida pela melhora do brasileiro Adhemar Ferreira da Silva. Às vésperas da Olimpíada de 1956 em Melbourne, Austrália, o atleta ficou de cama por causa de um abscesso dentário.

Em entrevista exclusiva ao Estado em 20 de novembro daquele ano, declarou ser um admirador do brasileiro e falou sobre o potencial olímpico do País, onde soube que "o amor pelos esportes é tremendo". Sobre Ademar, afirmou que ele seria grande em qualquer corrida e que, sem dúvida, chegaria a ganhar medalhas nas provas de altura e de extensão, pois "tem pernas que parecem molas".

Ele, o então recordista do salto em distância, confessou a dificuldade do salto triplo, modalidade de Adhemar. "Eu mesmo experimentei o salto triplo, e nunca pude estabelecer qualquer marca boa. Faz muita falta a carência de qualidades especiais e de molas nas pernas." Sobre o Brasil, disse que não estranharia se nas Olimpíadas de 1960 e 1964 viesse a rivalizar com os EUA e a URSS. Não só a admiração pelo brasileiro motivava sua torcida. Em Melbourne como representante do presidente dos EUA, Owens apontou o russo Leonid Cherbakov como o favorito da prova, caso Ademar não competisse. Um resultado nada desejável para os americanos em tempos de Guerra Fria.

Owens se tornou uma lenda do esporte ao ganhar quatro medalhas de ouro e se tornar o melhor atleta na Olimpíada de Berlim, em 1936. As vitórias do atleta negro ruíram o espetáculo nazista armado para exaltar a superioridade da raça ariana.

O "canguru brasileiro", apelido de Adhemar recebido em Melbourne, não decepcionou seu torcedor especial. Levou o ouro e bateu o recorde olímpico com um salto de 16,35 metros. Adhemar também se tornou o primeiro atleta nacional bicampeão olímpico. O primeiro ouro foi em Helsinque, em 1952.

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