Em 1988, os corintianos gritaram ''Palmeiras'' no Pacaembu

Gol de Gerson Caçapa aos 44 do 2º tempo deu vitória à equipe de Palestra Itália diante do São Paulo e colocou o time de Parque São Jorge na final do Paulista

, O Estado de S.Paulo

28 Novembro 2010 | 00h00

Em quase um século de rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, apenas uma vez os alvinegros torceram para o maior rival. E receberam uma ajuda. Foi em 17 de julho de 1988, um domingo frio, pelo quadrangular final do Campeonato Paulista. O time do Parque São Jorge precisava vencer o Santos, no Pacaembu, e torcer para o Palmeiras derrotar o São Paulo, no Morumbi. Os jogos eram no mesmo horário.

O Corinthians fez bem sua parte. O meia Éverton abriu o placar, aos 20 minutos do primeiro tempo, após cobrança de escanteio do ponta-esquerda Paulinho Carioca e desvio do lateral-direito Edson. Aos 36, de novo depois de uma cobrança de escanteio de Paulinho Carioca, o zagueiro Celso fez contra. A primeira etapa terminou com o goleiro Ronaldo defendendo uma cobrança de pênalti do meia Mendonça.

O segundo tempo todo foi de tensão para os 25.942 corintianos que assistiam ao jogo com o radinho de pilha colado na orelha, ouvindo São Paulo x Palmeiras, que seguia no 0 a 0.

O Tricolor do Morumbi estava melhor. O ponta-esquerda Sidney tocou para o centroavante Marcelo, que bateu fraco nas mãos de Zetti. O goleiro palmeirense fez mais duas grandes defesas e teve a ajuda da trave em uma cobrança de falta do zagueiro Ivan. O meia Renatinho, livre, perdeu gol incrível.

No desespero, o São Paulo, empurrado pela maioria dos 33.274 espectadores, acabou se desguarnecendo e deixou o volante Gerson Caçapa invadir pelo meio e tocar na esquerda para o lateral Denys. O camisa 4 bateu rasteiro, Caçapa dominou e finalizou por baixo, entre as pernas do goleiro chileno Rojas. Eram 44 minutos do 2.º tempo. Não havia mais chance para os são-paulinos.

No Pacaembu, algo inusitado vinha das arquibancadas. "Palmeiras, Palmeiras, Palmeiras" foram os gritos dos corintianos, que, enlouquecidos, viam seus jogadores festejarem dentro de campo. O Corinthians foi para a final com o Guarani e foi campeão Paulista de 1988.

Vinte e dois anos depois a história se repete. O Corinthians precisa de novo da ajuda de seu maior rival. O técnico Luiz Felipe Scolari não deve escalar os titulares. Ao contrário do que aconteceu em 1988, quando Ênio Andrade colocou em campo o que tinha de melhor: Zetti; Jairo, Márcio, Nenê e Denys; Lino, Gérson Caçapa e Delei; Tato, Célio e Ditinho Souza.

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