Em relatórios, todo o planejamento da Grã Bretanha

Dezenas de observadores conferiram como tudo funcionou em Londres. Segurança e voluntários impressionaram

SÍLVIO BARSETTI , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2012 | 03h06

Entre as inúmeras observações que vão constar de mais de uma centena de relatórios preparados por profissionais do Comitê Rio 2016, durante os Jogos de Londres, algumas certamente vão dar motivo para muita polêmica no novo ciclo olímpico que se inicia agora: as discussões sobre legado.

Na Grã-Bretanha, os brasileiros puderam conferir o planejamento local para inserir escolas e outras instituições públicas como usuárias de várias instalações esportivas nos próximos anos. Vai ser assim, por exemplo, com o Parque Aquático, onde Thiago Pereira conquistou uma medalha de prata para o Brasil e César Cielo, uma de bronze. "Eles vão transformar aquela arena num espaço comunitário para três mil pessoas", contou um dos 152 observadores brasileiros que estiveram em Londres. "Tivemos acesso à planilha que trata de cada etapa desse processo. É algo muito estudado, com gente capacitada de vários segmentos da sociedade."

Por determinação da cúpula do Rio 2016, ninguém do grupo brasileiro deve se manifestar publicamente antes da entrega dos documentos ao comitê. Mesmo assim, o Estado conseguiu antecipar alguns temas que fazem parte destes documentos.

Voluntários. Os observadores ficaram impressionados, por exemplo, com o trabalho dos voluntários - mais de 70 mil. Bem preparados e com recursos para resolver problemas rapidamente. Todos monitorados por celular com GPS. Quando um deles era abordado por alguém que não sabia falar inglês, um aplicativo localizava o voluntário mais próximo que dominasse o outro idioma. A questão preocupa os organizadores dos Jogos do Rio, que querem que os voluntários - devem ser mais de 60 mil - tenham noção mínima de inglês e espanhol.

Reciclagem e coleta do lixo dentro e fora das instalações, facilidade para se obter informações no Parque Olímpico, área de concentração de várias arenas, a diversidade de quiosques e de produtos licenciados para os torcedores. Tudo isso está bem detalhado nos documentos, assim como a integração das operações, envolvendo setores do governo, da iniciativa privada e do comitê organizador de Londres 2012.

Segurança. A segurança é um tópicos relevante. Uma equipe de cerca de dez pessoas foi a Londres especialmente para estudar as experiências dos ingleses. Policiais especializados acompanharam algumas operações e viram o funcionamento do rigoroso esquema nos locais de competições e nas proximidades da Vila Olímpica e do Parque Olímpico.

"Foram instaladas mais de mil câmeras em pontos da cidade e outras centenas em ônibus e carros utilizados pela família olímpica. Tudo era monitorado online por uma central, com dezenas de policiais se revezando em três turnos", contou um dos observadores do Rio 2016, enviado a Londres.

Um outro grupo ficou praticamente sediado no Aeroporto de Heathrow para ver como Londres lidava com o entra e sai de milhares de pessoas a cada hora na cidade, nos dias de mais apelo dos Jogos, como no da cerimônia de abertura.

De modo geral, as avaliações foram bastante positivas. Resta ao Rio tentar criar um modelo semelhante ao dos britânicos, ou tão eficiente quanto.

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