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Família Felipão

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PAULO CALÇADE

A vitória da Itália sobre o México deixa o time de Chicharito Hernandez numa situação delicada na Copa das Confederações. O que é ótimo, pois haverá na quarta-feira, em Fortaleza, um jogo mais exigente, perigoso e absolutamente necessário para o desenvolvimento do time brasileiro.

O pior cenário agora seria a seleção enxergar mais do que está sendo mostrado a ela e se perder na formação do sentido de equipe. Inteligentemente o discurso de Felipão se distancia da vitoriosa "Família Scolari", mas está claro que o treinador trabalha por uma nova versão dela quando hoje observa algumas das mesmas qualidades presentes na turma de 2002.

Cada partida é um tijolinho a mais na edificação do caráter vencedor. A diferença do grupo pentacampeão é que ele desembarcou no Mundial mais amadurecido. E isso faz muita diferença, principalmente nos detalhes. A vitória sobre o Japão sinaliza algumas virtudes. O ponto alto foi a consistência do time, o visível comprometimento com a busca da evolução, resultado do caldo de vitórias e de ajustes nos treinamentos.

Ainda é muito cedo para conclusões, mas houve progresso entre o empate diante dos ingleses e a vitória sobre os japoneses. O México ajudará a aumentar a escala de dificuldades.

O placar contra o Japão, construído sem oscilações, tem sua importância, em que pese o cansaço do adversário. Sem a bola e sem conseguir imprimir sua habitual velocidade, o time comandado pelo italiano Alberto Zaccheroni causou poucos problemas a Thiago Silva e David Luís. E deu razão aos números, totalmente favoráveis a um Brasil linear, sem ser empolgante.

São bons indicadores da conduta da equipe, mostram controle da posse de bola (61%), bom volume de finalizações (14 vezes, 9 acertos) e controle dos escanteios (4 a 0). O que os dados não mostram é a evolução do rendimento individual, os sinais positivos de uma fase bastante delicada, em que tudo influencia na consolidação da confiança. Não basta ser bom no clube, é preciso transportar o rendimento para a seleção.

Mas calma, uma coisa de cada vez. Ainda falta muito para Felipão atingir o seu ideal de futebol. O importante é que a primeira etapa do teste foi bastante positiva. Houve crescimento individual e coletivo, sem perder o controle, sem ser dominado pelo adversário em nenhum momento. No entanto, dificilmente isso deixará de acontecer nos próximos confrontos. A seleção passará por apuros, necessários para sua construção.

Scolari destacou o desenvolvimento tático da equipe, que realmente não sofreu diante dos japoneses, mas deixou bem claro por onde passa o progresso. Naturalmente ainda há problemas nas transições, na ida ao ataque e na recomposição defensiva. Será mais difícil organizar o jogo diante de marcações mais cerradas.

Por sorte, a solução parece estar no campo. Hulk, Oscar e Neymar têm liberdade para encontrar o melhor espaço para jogar. O time melhora com a movimentação do trio, e Oscar mostra sua importância quando ajuda a recompor a marcação pela esquerda, permitindo a Neymar e Fred se dedicarem aos contra-ataques.

No segundo tempo, o meia do Chelsea também contribuiu para facilitar a ligação defesa-ataque ao vir buscar a bola na zona de atuação dos volantes. Encerrou sua participação num 4-3-3 que reforçou o meio de campo com Hernanes e abriu rota para o ataque com Lucas. O passe para Jô marcar o terceiro foi especial.

Os volantes foram ótimos. Paulinho com movimentação bem ao estilo do Corinthians e o vigilante Luís Gustavo, entre zagueiros e companheiros de meio de campo, de olho no posicionamento dos laterais para proteger a defesa.

Os laterais, aliás, merecem uma observação mais atenta, afinal produziram dois gols. Marcelo cruzou para Fred ajeitar a bola e Neymar marcar o primeiro. No segundo tempo, Daniel Alves encontrou Paulinho solto na área. A dupla será muito bem marcada e explorada pelos mexicanos, pois o mundo conhece suas virtudes e seus defeitos. É o próximo passo.

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