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Felipão, a unanimidade e o álbum de figurinhas

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Luiz Antônio Prósperi

Torraram a paciência do Telê Santana em 1982 para botar um bendito ponta-direita na seleção na Copa da Espanha, quando nem um ponta bom havia no Brasil. Mais tarde, em 1990, num comercial de televisão, um guarda de trânsito em Roma disse que era o papa ao Sebastião Lazaroni, que se identificou como técnico do Brasil na Copa da Itália. Em 2002, até o presidente Fernando Henrique Cardoso, de conhecimentos escassos de futebol, insistiu com Felipão para levar Romário ao Mundial de 2002. Mais recentemente, Dunga não engoliu o clamor pela convocação do imberbe Neymar e seu então parceiro Ganso.

Agora vem Felipão de novo e não se vê um levante contra o treinador pedindo esse ou aquele jogador na seleção titular.

Muito menos se reclamou contra a ausência de Ronaldinho Gaúcho, um Kaká, um Robinho que seja. A unanimidade, burra ou não, tem deixado Felipão em paz. O índice de aprovação do treinador faz inveja à presidente Dilma Rousseff e aos postulantes a seu trono.

Qual é o segredo de Felipão? Há mais de um ano ele voa sem turbulência e navega em águas calmas. Distribui sorrisos, afagos, autógrafos e ninguém o puxa pelo braço para pedir a escalação de um craque injustiçado.

Segredo talvez nem seja uma mágica do treinador. O que parece é que boa parte do povo se esqueceu de olhar para a seleção, preocupado em excomungar a Copa. Só foram prestar atenção nos rapazes do Felipão na hora de colar os cromos cintilantes no álbum da Copa. E aí perceberam que a maioria deles era gente desconhecida. Willian, Maxwell, Fernandinho... em que raios de times esses caras jogam? Mas era tarde. As figurinhas já estavam em Teresópolis, treinando na Granja Comary.

Tudo o que Felipão queria. Ninguém conhece seu time. E, se ninguém conhece, não adianta jogar pedras. Se o Brasil for campeão, vão bater palmas com vontade. Se perder, é só rasgar o álbum.

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