Flávia abre as portas do softbol

Segundo o ditado, a exceção faz a regra. E no softbol isso também acontece. Flávia Mazzafera Haddad se destaca das companheiras de seleção brasileira e a diferença é visível. Por ser a única não descendente de japoneses, muitos a consideram um exemplo dentro desse esporte pouco conhecido no país e ainda restrito à colônia oriental. Aos 17 anos, Flávia vive um raro caso de dedicação e amor, mostrando que o esporte supera os limites raciais. ?Praticamente só as descendentes de japoneses jogam softbol. Mesmo assim, nunca tive nenhum problema, as meninas sempre me trataram bem?, declarou. Há sete anos, Flávia foi trazida para o softbol por um ex-professor de educação física, que a convidou, junto com suas duas irmãs, para assistir a um treinamento no Nikei Clube, na cidade de Marília (SP). Apesar de ser um esporte exótico, Flávia se identificou automaticamente. Chegou à seleção brasileira há três anos e já conquistou dois títulos sul-americanos. Vivendo e aprendendo a jogar - Ao invés de trazer complicações, Flávia vê vantagens em ser a única autêntica brasileira do grupo. ?Quando eu e minhas irmãs começamos a jogar, nossa família passou a ter contato com a colônia japonesa e aprendemos muito com a cultura deles?, contou. Uma das irmãs de Flávia se interessou tanto que passou a fazer curso de japonês e no ano que vem deve fazer intercâmbio. A amizade e o entrosamento entre as meninas da seleção podem ser percebidas durante as partidas. Enquanto as titulares jogam, quem fica na reserva torce, gritando músicas semelhantes às das torcidas organizadas de futebol. Flávia é uma das que mais incentiva as companheiras. ?Esse apoio ajuda muito. Cada uma tem seu próprio grito de guerra?, conta. Flávia é modesta, quando ouve comentários de que é um exemplo, dentro do softbol. ?Procuro ser útil para a equipe. Mas o pessoal da colônia, que entende muito de softbol, me acha uma boa jogadora?, diz. Segunda base da seleção, Flávia lamenta que o softbol esteja restrito aos descendentes de japoneses. A complexidade das regras é um dos fatores que afasta o público do esporte. ?As regras do softbol são mesmo complicadas. Além disso, no Brasil, só se fala em futebol. Isso atrapalha a divulgação do softbol?, analisa. Outro problema é o alto custo dos equipamentos, como capacetes, máscaras, luvas, bolas e tacos, todos importados. Disputa - O softbol é um esporte semelhante ao beisebol, com lançadoras e rebatedoras, mas o campo possui dimensões menores. Outra diferença é a bola, mais macia (daí o nome do esporte, softbol, ou bola macia) e os arremessos, que são quase rasteiros. Apenas a modalidade feminina é olímpica, mas em muitos países o softbol masculino também é praticado (nas Olimpíadas, os homens jogam o beisebol). As norte-americanas são as atuais campeãs mundiais. O Brasil ficou na 8.ª colocação no Pan-Americano realizado ano passado, na Venezuela.

Agencia Estado,

08 Agosto 2002 | 19h44

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