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Futebol é coletivo. E tão bom quando o craque decide

Antero Greco

O futebol é esporte coletivo, e isso o garoto aprende logo ao ficar em pé e dar o primeiro chute numa bola. A solidariedade implícita está até no nome da Fifa - no “A” de Association. Enfim, uma forma de estimular altruísmo, generosidade, divisão de tarefas e distribuição de responsabilidades e méritos. Muito bacana, sobretudo quando se vê o entrosamento funcionar.

Mas, mais bonito ainda do que harmonia entre os setores, é quando o talento individual sobressai. Não há como não se curvar à criatividade, à genialidade, ao carisma do astro. Um grande time precisa de regente, de ao menos um virtuose, daquele sujeito que arrebata a plateia. 

Equipe vencedora deve contar com a magia do craque, figura indispensável, por mais que vivamos tempos de impessoalidade. O fora de série dá cara ao grupo, imprime marca, o torna singular. Foge da pasteurização generalizada.

Você acha que é por acaso que falamos “o Brasil de Neymar”, “a Argentina de Messi”, “Portugal de Cristiano Ronaldo”? Claro que não. Eles são a referência, o selo de qualidade, o detalhe que realça uma seleção. Um alerta aos adversários, o alento para os torcedores. A maneira de distinguir uma rapaziada da outra. Ai dos demais, se sentirem ciúmes! Azar deles, pois sabem que, na hora H, a estrela da companhia pode decidir. 

A trupe que Felipão convocou para o Mundial que começa amanhã - puxa vida, já estamos na Copa! - tem consciência plena da importância de Neymar. Por isso, sobram elogios e cuidados para ele. Se bem que, ali e acolá, alguém observa que “a força brasileira está no conjunto”. Ramires e Luiz Gustavo roçaram no tema, na entrevista de ontem.

Não estão equivocados, tampouco exageram. Evidentemente, os componentes de um time têm valor. Como? Ah, sim. Nem precisa me lembrar que craque não joga sozinho e necessita de quem lhe dê apoio. Concordo com tudo. Mas pergunte a qualquer boleiro se não se sente mais confortável e esperançoso se do lado dele vê um companheiro que possa desequilibrar. Se disser tanto faz, não acredite, pois é papo furado. 

A seleção redobra o cuidado com o todo, ao mesmo tempo em que torce muito para que Neymar receba aplausos em cena aberta. Na vida, há os que brilham mais, mesmo numa atividade coletiva como o futebol. No final, a glória será comunitária.

Descontração. Está bonito de ver o comportamento de diversas delegações que já se instalaram pelo país. Alemães, holandeses e até ingleses têm mantido contato com torcedores das localidades em que se concentram. Não são poucas as cenas de confraternização, relaxamento, integração. Sensacional.

Para os sisudos, quem age assim corre risco de quebrar a cara. Bobagem. Copa não é guerra, não se deve conduzir atletas como se fossem soldados. Não se deve confiná-los, como faz Sampaoli, técnico do Chile. A interação com a natureza traz benefícios.