1. Usuário
Assine o Estadão
assine

Gabriel Medina brilha no Taiti e dispara no Mundial de surfe

O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 23h 50

Em final emocionante nas ondas gigantes de Teahupoo, brasileiro supera a lenda Kelly Slater e chora muito na comemoração

Em um dia histórico de surfe, o brasileiro Gabriel Medina, de apenas 20 anos, superou Kelly Slater no Billabong Pro Taiti por uma diferença mínima: 18,96 a 18,93 pontos. A final foi emocionante, com a expectativa de sair a última nota do norte-americano quando a bateria já havia terminado, mas o resultado acabou não sendo suficiente para o 11 vezes campeão mundial. Na comemoração, Medina chorou e ficou bastante emocionado. "É uma sensação ótima. O mar estava perfeito e estou chorando porque adoro o surfe. É inacreditável. Tenho certeza de que muitos brasileiros viram, essa é para nós", disse.

Com a vitória na sétima etapa, não só manteve a liderança do ranking mundial como ampliou a vantagem para o segundo colocado, que agora é o próprio Slater. O prodígio de Maresias tem 46.150 pontos, 7.800 a mais que o rival (antes a diferença para o vice-líder, que era Joel Parkinson, era de 1.750 pontos). Faltam quatro etapas para o fim do Circuito Mundial e Medina tem boas chances de conquistar o inédito título para o País. "Não sei o que dizer. Minha mãe disse coisas que me inspiraram, estou muito feliz. Eu fiz uma besteira, e o Slater é uma lenda e sabe o que faz. Quando caí, achei que iria perder a bateria. Mas deu tudo certo."

Surfe no Taiti
Reprodução

"Não sei o que dizer. Minha mãe disse coisas que me inspiraram, estou muito feliz", disse o brasileiro ao receber o troféu no Taiti

A final ocorreu na praia de Teahupoo, que numa tradução livre significa praia dos "Crânios quebrados", por causa do raso e afiado recife de corais que costuma machucar bastante o surfista que cair da prancha. Outro ingrediente para apimentar a etapa é que o mar estava bem grande, com ondas tubulares muitas vezes superiores a dez pés. "Esta é a terceira vez que eu venho aqui para o Taiti, mas é a primeira que eu pego Teahupoo tão grande e realmente as ondas são assustadoras lá dentro", contou Gabriel Medina.

Na semifinal, ele teve mais facilidade diante do australiano Bede Durbidge, vencendo por 18,67 a 4,17. Isso ajudou o surfista a poupar fôlego para a decisão contra Slater, que travou um verdadeiro duelo contra o havaiano John John Florence. Os dois disputaram a bateria onda a onda e no final deu empate em 19,77 pontos. Como o norte-americano levou uma nota dez, ganhou no desempate e avançou à final.

DISPUTA DO TÍTULO

A próxima etapa do Mundial tem início em 9 de setembro, em Trestles, na Califórnia. Na sequência os surfistas vão para França, Portugal e a competição se encerra no Havaí, na famosa praia de Pipeline. Os três próximos eventos podem ajudar Gabriel Medina a manter a ponta do ranking, pois são etapas que ele tem tudo para se dar bem. Além disso, a consistência e regularidade do brasileiro nesta temporada enche a torcida de esperança de que o título pode vir. Para se ter uma ideia, sua pior colocação no ano foi um 13º lugar e ele já tem três vitórias em sete etapas na temporada.