Alastair Grant/AP
Alastair Grant/AP

Governo mantém aposta no alto rendimento do Brasil na Olimpíada

Desempenho em Londres não agradou ao ministro do Esporte, que promete aumentar investimento

ADRIANA CARRANCA , ENVIADA ESPECIAL/ LONDRES, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2012 | 03h04

LONDRES - O Ministro do Esporte, Aldo Rebelo, deixou claro nesta segunda-feira, 14, que o governo quer ver os investimentos olímpicos traduzidos em medalhas, o que não ocorreu em Londres. O governo federal divulgou que vai lançar um plano de medalhas para 2016, ampliando o aporte de recursos nos esportes de alto rendimento. Em contrapartida, todas as confederações terão de assumir metas de conquistas. Os investimentos no último ciclo olímpico foram recorde, mas não se traduziram em mais medalhas.

"Acho que o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) já entendeu que precisamos ter um desempenho em 2016 a altura da nossa condição de país-sede", disse o ministro, ontem. A expectativa do governo era alcançar um número de, pelo menos, 20 medalhas em Londres, mas o País deixou os Jogos com 17, apenas duas a mais do que em Pequim e com o mesmo número de ouros (3).

O plano para 2016 será traçado com base em uma avaliação sobre o desempenho e as deficiências em Londres, "não só do governo, mas do COB e de todos os envolvidos" nos esportes de alto rendimento. Do ponto de vista do COB, que havia feito uma previsão modesta de 15 medalhas para o Brasil, o resultado ficou acima do esperado. A dissonância entre a cúpula do COB e do governo é evidente. "Pela análise do COB, o desempenho alcançou um grau de excelência. Já a nossa análise era de que nosso desempenho em Londres teria a interferência dos recursos que foram empenhados após Pequim. Mas nossa tarefa é olhar para o futuro", disse o ministro. Rebelo deixou claro que o desempenho não agradou ao governo. "Precisamos e devemos melhorar muito até 2016", afirmou Rebelo, adicionando que é preciso "maior integração" entre governo, COB e confederações.

Ações. O ministro pediu um levantamento de todos os atletas que ficaram entre os "cinco ou dez" mais bem colocados. A análise estatística definirá o tipo de apoio e as ações em cada modalidade, mas esses atletas podem ter prioridade de recursos.

Na prática, a política de estado para investimento nos esportes olímpicos tira do COB o monopólico da decisão sobre o destino dos investimentos, há muito alvo de disputa com o governo. "Um ponto positivo no balanço de Londres é a consolidação da ideia de que é preciso ter transparência na avaliação dos recursos. O Ministério do Esporte colocou que deveríamos ter objetivo, planos e metas confrontadas entre resultado obtido e o que foi investido. Esse foi o primeiro ciclo em que conseguimos consolidar o debate. Rompemos uma questão de cultura que havia no esporte brasileiro", disse Ricardo Leyser, secretário nacional de Esporte. Segundo ele, há "pontos de vista distintos" com o COB sobre a condução dos investimentos. Ambos também divergem sobre as modalidades a receberem mais recursos.

Para Leyser, o bom desempenho do Brasil depende, antes de tudo, de uma boa articulação entre governos, o COB e o Comitê Rio 2016. "Nós faremos tudo que estiver ao nosso alcance para aumentar a integração, o trabalho conjunto e a relação de confiança", sinalizando um racha ainda existente entre as instituições.

Investimentos. Com mais de R$ 1 milhão investidos nos últimos quatro anos nos atletas de alto rendimento exclusivamente pelo governo federal, por meio de ações como Bolsa Atleta e recursos da lei de incentivo ao esporte, segundo dados do ministério, além de outros R$ 331 milhões repassados ao COB, por meio da lei Agnelo Piva, o Brasil contou na preparação para Londres com o maior aporte olímpico de sua história. Somados os patrocínios, o valor pode chegar a R$ 2 bilhões no ciclo, o que significa mais recursos do que tiveram grandes potências olímpicas como Grã-Bretanha, que investiu £ 500 milhões (R$ 1,6 bi).

"O governo, as empresas estatais que já investiam no esporte intensificaram seus esforços nos últimos anos. Dos atletas que alcançaram medalhas nos individuais, 10 são bolsistas do Ministério do Esporte (Bolsa Atleta)", disse Rebelo.

Equipamentos. Ricardo Leyser diz que a base é diferente, já que o Brasil ainda está construindo equipamentos olímpicos, como um centro nacional de judô, em Salvador, e de handebol, em São Bernardo. "Na contabilidade isso não aparece, mas serve de base ao esporte de alto rendimento", disse, sobre as divergências com o COB em relação ao orçamento investido no último ciclo olímpico. Ao divulgar o seu balanço, um dia antes, o COB não considerou os investimentos federais. O governo federal trabalha com a meta de o Brasil ficar entre os 10 primeiros colocados nos Jogos do Rio.

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