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Jogadora da seleção sofre AVC na Eslovênia

ALESSANDRO LUCCHETTI - O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2012 | 03h 04

Daniela Piedade, 33 anos, pertence a uma família de pilotos, morava no bairro de Interlagos e também sonhava acelerar no autódromo. Mas o handebol acabou falando mais alto. O que seus parentes nunca imaginaram é que a pivô da seleção brasileira lhes daria um susto tão grande num esporte bem menos perigoso. No último sábado, Dani sofreu um acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), quando se aquecia para defender seu clube, o Krim Ljubliana, da Eslovênia. Ontem, o médico da seleção brasileira, Leandro Gregorut Lima, relatou que o estado da jogadora é bem melhor. Ele não descarta a possibilidade de que ela volte a treinar até o final do mês.

Marcelo Piedade, irmão da jogadora, respirava bem mais aliviado. "Agora está tudo bem. No sábado conversamos por telefone e ela estava misturando palavras em alemão, inglês e espanhol com o português. Hoje (ontem) falou apenas a nossa língua e nos deixou mais tranquilos."

Segundo Lima, Dani desmaiou, mas foi prontamente atendida pelo médico da equipe. A atleta recobrou os sentidos dentro da ambulância, antes de entrar no hospital. "Ela perdeu parte dos movimentos momentaneamente. No caso de AVC, quase sempre há um comprometimento momentâneo. A pessoa pode perder a capacidade de andar ou ficar sem o movimento de um braço. Ocorre também, às vezes, o comprometimento da fala, da visão ou audição. Hoje (ontem) ela já estava praticamente normal. O mais provável é que fique 100% em breve, mas é difícil prever em quanto tempo: em dois ou três dias ou até em uma semana."

Frustrada. Assim como toda a seleção - com a eliminação nas quartas de final dos Jogos Olímpicos, Dani pretendia prolongar a carreira até os 37 anos, para poder disputar os Jogos do Rio. Assustada, a família agora se posiciona de forma contrária. "O handebol é um esporte de muito contato. Um dia ela bateu cabeça com uma adversária e ficou com um caroço enorme. Ficamos com medo que o AVCI pudesse ter sido causado por isso, mas o médico descartou." O médico da seleção não rejeita a possibilidade de que a verdadeira causa do AVCI jamais venha à tona. "Há uma certa incidência de casos decorrentes do uso de anticoncepcionais."

Os pais de Dani devem viajar ainda esta semana para Liubliana. Assim que tiver alta, ela deverá regressar a São Paulo.

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