Jogos: na abertura em SP, pouco brilho

A falta de estrelas na cerimônia de abertura dos Jogos Sul-Americanos, hoje, no Ginásio Mauro Pinheiro, somada à chuva que caiu na cidade e falta de organização do evento, ofuscou o brilho da festa e deixou atletas e profissionais da imprensa irritados. Mas para Zezé e SB, os mais experientes atletas do handebol brasileiro, tudo estava bem. A emoção de levar a bandeira brasileira, no caso de Zezé, e a tocha, no caso de S.B, apagava qualquer problema. Aos 33 anos, 16 de Seleção Brasileira, Maria José Sales, a Zezé, passou por dois momentos importantes da equipe: a medalha de ouro nos Jogos Pan- Americanos de Winnipeg/99, e a primeira participação da Seleção Brasileira em jogos Olímpicos - foi em Sydney/2000, em que a equipe terminou na nona posição. "Só fiquei sabendo hoje que eu levaria a bandeira do Brasil. Representar o país, ainda mais dentro de casa, me enche de orgulho", suspirou a jogadora. Enquanto Zezé esperava as instruções para o desfile da delegação brasileira, ouviam-se reclamações de alguns atletas: "Nunca vi nada desorganizado assim em uma competição." A imprensa não pôde contar nem com uma sala para trabalhar. Deslumbrado, José Ronaldo do Nascimento, o S.B, de 36 anos, estava satisfeito: "Até agora achei tudo bem organizado. O Brasil teve pouco tempo para arrumar tudo e conseguiu." Sobre o prestígio de levar a tocha, declarou: "Espero representar bem o Brasil. A festa está muito bonita." O atleta sabe que entre todas as modalidades, a maior rivalidade acontece entre brasileiros e argentinos no handebol. Nos Jogos Olímpicos de Sydney, os brasileiros estavam quase certos da desistência dos rivais, cuja vaga seria ocupada pelo Brasil - os rivais não cederam e zombaram os brasileiros após a competição. No último Pan-Americano da modalidade, em Buenos Aires, os brasileiros perderam por um gol: 21 a 22. "Agora vamos jogar em casa, vamos ter jogos muito desputados e com certeza, vamos levar esse título", afirma S.B, que representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Barcelona/92 e Atlanta/96. Apesar de ser a mais velha do grupo, Zezé afirma que ainda não pensa em parar: "Ensaiei em parar de jogar com 30 anos, mas continuei jogando para tentar a classificação para os Jogos de Sydney. Agora, minha vontade é conseguir levar o time para o título do Pan de 2003, em Santo Domingo, e chegar à Olimpíada de Atenas." O desejo de S.B é o mesmo: "Tenho 36 anos mas vou jogar até onde meu corpo agüentar. Tem atletas de 18, 20 anos, que já passaram por cirurgias muito mais delicada do que eu. O máximo que fiz foi uma artroscopia no joelho direito." Dez minutos antes do início da cerimônia, que atrasou 40 minutos porque algumas autoridades como Marta Suplicy haviam se atrasado, ainda havia muitos espaços nas arquibancadas. Além da prefeita que foi vaiada quando foi convidada para astear a bandeira do Estado de São Paulo, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, marcou presença. O governador Geraldo Alckmin não compareceu. O público se encantou com o mascote da competição, o tamanduá-bandeira Tamba. Mas o interesse maior era ver delegações de países pitorescos como Antilhas Holandesas e Panamá. Amanhã começam as competições do levantamento de peso, no Centro Olímpico (Avenida Ibirapuera 1.315), a partir das 9h, com entrada franca. Seguem também os jogos de golfe, em Mogi das Cruzes.

Agencia Estado,

01 Agosto 2002 | 21h08

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