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Inovação Olímpica

Judô mistura inovação com tradição para brilhar em 2016

- Atualizado: 27 Janeiro 2016 | 15h 58

Técnicas específicas são utilizadas em treinamento de judocas

A criação do judô remete ao século XIX (quando Jigoro Kano criou a arte marcial derivada do estilo Takenouchi-ryu de jiu-jítsu) e suas tradições no tatame são parte fundamental do esporte. Mas a modalidade tem se modernizado sem abandonar suas origens. Acompanhando o ritmo do esporte de alto desempenho, tanto nos treinamentos, que passaram a adotar algumas das mais modernas técnicas para maximizar a performance, quanto na disputa pela medalha, de forma que eventuais erros dos juízes não atrapalhem o melhor lutador.

Juntamente com a qualidade técnica dos brasileiros, que tiveram seu primeiro contato com o judô a partir da década de 1920, a expectativa é melhorar no Rio em 2016 o bom desempenho obtido nos Jogos Olímpicos de Londres, quando a delegação do Brasil conquistou quatro medalhas, sendo uma de ouro, com Sarah Menezes e três de bronze, obtidas pelos atletas Felipe Kitadai, Mayra Aguiar e Rafael Silva. 

"A gente vê melhora de performance, melhora de desempenho, melhora de recuperação, que é mais importante, entre treinos, então isso engloba material, planejamento de treinos, suplementação e até mesmo os profissionais envolvidos têm mais conhecimento, tem mais bagagem e estudo", afirma Thiago Camilo, judoca que já obteve duas medalhas olímpicas, prata em Sydney 2000 e bronze em Pequim 2008. Atleta do Esporte Clube Pinheiros, Camilo treina ao lado de  outros grandes nomes da arte marcial como Sarah Menezes e Felipe Kitadai e é um dos que se beneficiam das novidades dentro e fora do tatame. 

Thiago Camilo é um dos atletas que treinam no Pinheiros

Thiago Camilo é um dos atletas que treinam no Pinheiros

"Temos de diferencial o bom planejamento e o controle dele", explica Lucas Marques, coordenador técnico desportivo do CIAA (Centro Integrado de Apoio ao  Atleta) do Pinheiros. Responsável pelo judô no clube, ele explica quais tipos de testes os atletas são submetidos: exercícios de medição da potência com objetivo de melhorar a  performance permitir aos técnicos conhecer em que nível está cada atleta. 

"A gente avalia a potência dos membro anteriores, onde utilizamos a plataforma de salto. Com a altura, associado à massa muscular, conseguimos calcular a potência absoluta ou relativa. Outro teste é a resistência de força do membro superior. É um exercício de barra normal, que todo mundo faz, a única diferença é que ele usa o judogui. Acoplado com um aparelho sensorial, como se fosse um celular que tem um acelerômetro dentro, a gente consegue determinar a potência gerada em cada ação", afirma Marques. 

Outro exercício específico do judô que utiliza um equipamento especial é o chamado teste de Sterkowicz. O atleta fica posicionado entre dois adversários e tem que aplicar o golpe Ukes Ippon seoi Nage em intervalos de tempo nos dois "sparrings". Durante a prova, o medidor de frequência cardíacas Zephyr (também utilizado em outros esportes) é acoplado ao atleta. 

"Sem dúvida nenhuma, monitorar utilizando esses instrumentos, facilitou o entendimento de como o planejamento foi executado e se ocorreu o que a  gente esperava", completa o coordenador do Pinheiros.

NO TATAME

Os atletas conseguem ter outra vantagem além de uma melhor performance: o conhecimento. Na preparação para encarar alguns dos melhores judocas do mundo, a equipe brasileira conta com análises dos principais adversários que vão encarar, não apenas nas Olimpíadas, mas em todas as principais competições do esporte. 

"Com o  estudo das lutas, hoje é muito mais fácil o acesso aos seus adversários", diz Thiago Camilo. Nas competições em si, também a perfeição é procurada: "Temos câmeras na área, o que minimiza o erro do árbitro, temos vários juízes que ficam na mesa e eles analisam a pontuação. Não é só isso, mas esse é um dos fatores que vem mudando diretamente a luta", afirma o judoca.

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