Rafael Ribeiro/CBF
Rafael Ribeiro/CBF

Lais Souza cobra mais respeito e tratamento de 'pessoa normal'

Ela está cansada de rótulos após assumir sexualidade: 'Sou só Lais'

O Estado de S. Paulo

25 Março 2015 | 16h22

 

Lais Souza está chateada com a exposição de sua imagem e resolveu desabafar. A ex-ginasta de 26 anos, que sofreu grave acidente em treino de esqui na neve em Salt Lake City, quando se preparava para os Jogos Olímpicos de Inverno, e ficou paraplégica, pediu um pouco de respeito e clamou para ser tratada como uma pessoa normal.

Em entrevista à revista Glamour, Lais se disse cansada dos rótulos. Desde o acidente, até semanas atrás, quando assumiu que era gay, ela vem sofrendo com as notícias a seu respeito e pediu um basta.

“Desde que sofri o acidente, ganhei muitos rótulos. Primeiro, era a atleta acidentada. Depois, a atleta paraplégica. Agora, sou a atleta gay. Eu sou "só" a Lais Souza”, desabafou. "Por que minha opção sexual tem de ser manchete? Quebrei o pescoço, poxa! A gente precisa de manchetes para isso, para que cada vez existam mais pesquisas que me tirem da porcaria dessa cadeira," cobrou.

Sempre mostrando-se esperançosa em voltar a andar, ela pretende ser questionada mais sobre sua recuperação e a saúde e que as pessoas deixem de lado sua vida sexual. "As pessoas acham que o que mais mudou na minha vida foi o sexo. Gente, nem de longe essa é a questão. Sou bissexual e todo mundo sempre soube disso em casa, mas as pessoas em geral só souberam agora, porque acabei deixando escapar numa entrevista (assumiu o relacionamento com uma menina)", afirmou. "O que tem demais eu já ter namorado homens e mulheres? Como disse, quando sofri o acidente, estava começando um relacionamento com uma mulher, só que o namoro acabou já no início da recuperação. Preciso focar em melhorar."

Lais fraturou o pescoço e a terceira vértebra e está numa cadeira de rodas. Está em tratamento há mais de um ano e garante que voltará a andar, contrariando os médicos. É em sua recuperação e força de vontade que ela espera que todas se lembrem daqui pra frente, até pelo fato de ela não aguentar mais as perguntas sobre vida amorosa, sexual e coisas do gênero. O recado é mais que direto: "Hoje estou solteira, mas o sexo é normal: posso beijar, transar e amar da mesma forma. Acontece que esse assunto me chateia."

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