Lição do Corinthians

Time aproveita vacilos do Palmeiras e vira clássico no Pacaembu com autoridade na tarde de homenagens e violência; o meia Paulinho foi o dono do jogo

LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI, O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h02

É muito fácil procurar e encontrar um vilão em um grande clássico. Basta analisar o resultado da partida para se tirar a inevitável conclusão. Ontem, o sempre correto Márcio Araújo, volante do Palmeiras, foi o crucificado da rodada. Ele deu dois gols de graça ao Corinthians, que venceu de virada por 2 a 1 e despachou o último invicto do Campeonato Paulista, na tarde de homenagens a Chico Anísio e num dia em que mais um torcedor morreu em confronto de organizadas.

Mesmo com os vacilos de Márcio Araújo não se pode garantir que um clássico é decidido apenas por detalhes. Conta, e muito, a eficiência e a proposta de jogo. Que o diga o Palmeiras, em especial no primeiro tempo.

O time entrou para marcar os principais artífices do Corinthians. Limitar seus espaços. E usar do talento de Valdivia e a precisão de Marcos Assunção para resolver o jogo a seu favor.

Com 17 minutos, quando já vencia por 1 a 0 - gol de Assunção chutando de longe, com desvio em Castán e iludindo Júlio César -, o time de Felipão cumpria com rigor o que havia sido programado nos vestiários.

Era assim: Márcio Araújo com marcação individual em Emerson Sheik, Cicinho colado em Jorge Henrique e Assunção no encalço de Danilo. Restava bloquear Paulinho, com bom trânsito no setor direito combinando com Edenílson. Dois contra um, no caso Juninho.

Então Felipão puxou João Vitor da direita para socorrer Juninho na esquerda e Maikon Leite abriu na ponta direita para inibir as investidas de Fábio Santos. Tudo bem ajustado.

Diante desse quadro, o Corinthians pouco produziu. Foi mais agudo, pressionou a saída de bola do inimigo, mas viveu de cruzamentos na área sempre em direção ao apagado Liedson. Deola teve pouco trabalho.

Se o time de Tite mantinha seu estilo de marcar forte lá no campo do adversário, errava quando era obrigado a se recolher. Não havia ninguém muito preocupado em cuidar de Valdivia, acompanhar os seus passos. Então o chileno fez o que bem entendeu. Foi dele o passe, a bola rolada, para Marcos Assunção desferir o petardo do único gol na etapa inicial.

Virada agônica. Agora apaga tudo o que se viu no primeiro tempo. No início do segundo, o clássico trocou de lado. Literalmente. Com seis minutos, o Corinthians virou o jogo. Em dois lances iguais: faltas na lateral com Jorge Henrique levantando na área e duas pixotadas de Márcio Araújo, que deu um gol para o Paulinho e fez outro contra.

A virada corintiana, como um relâmpago, destroçou o Palmeiras. Emerson foi jogar na ponta-esquerda em cima de Cicinho e Jorge Henrique abriu na direita, com Paulinho marcando e atacando como nunca. A eficiente marcação palmeirense virou pó. Lá na frente, Valdivia já não tinha tanto espaço para agir.

Felipão, de imediato, trocou Maikon Leite por Ricardo Bueno para encostar no sumido Barcos. Não deu certo. Depois tentou o meia Pedro Carmona no lugar de Cicinho. Também em vão.

Com a vantagem no placar, o Corinthians pôde ser ainda mais Corinthians. O time se encorpou, disputou palmo a palmo cada naco de campo e se impôs coma autoridade de campeão brasileiro. Ralf e Paulinho formaram um paredão na proteção da zaga. Não havia meios de o Palmeiras furar o bloqueio.

Seguro, dono de si e dessa vez sem provocações ao tradicional adversário, o time de Tite controlou as ações. Empurrado por uma multidão vestida de preto e branco, que não deu trégua nos cânticos e na emoção, o Corinthians fez do Pacaembu a sua fortaleza intransponível

Do outro lado havia um punhado de nervos tensos, prontos para explodir. O tão decantado equilíbrio se partia a cada minuto. O Palmeiras, até então há 22 jogos sem perder, havia sentido o peso da derrota quando ainda restava quase meia hora para o apito final. Assim, não era difícil prever o fim da história. O último invicto do Paulista estava na lona. Sem choro e nem vela.

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