Lula assina projeto de lei de incentivos ao esporte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao participar nesta quinta-feira à noite, em Brasília (DF), da Segunda Conferência Nacional do Esporte, assinou projeto de lei - a ser encaminhado ao Congresso - que cria incentivos fiscais para o esporte. Pela proposta, a iniciativa privada entraria com recursos para desenvolver e profissionalizar as atividades esportivas no Brasil e receberia, em troca, direito de deduzir parte desses valores no Imposto de Renda. As deduções poderão ser feitas por empresas - até o limite de 4% - e por pessoas físicas - até 10%. A previsão é de doações e patrocínios a projetos inclusive para deficientes. Em discurso, Lula conclamou os presentes - atletas e técnicos da área esportiva - a trabalharem junto à Câmara e ao Senado para que a proposta seja aprovada rapidamente e para que os empresários e bancos possam colocar mais dinheiro no esporte amador. "Este projeto não pode ficar mofando no Congresso. A obrigação de cada atleta e cada um de nós é a de conversarmos com os deputados, sem (levar em conta) opção ideológica, não importa se sejam de direita ou de esquerda", disse. O presidente acrescentou que, com o projeto, o Brasil poderá se tornar uma nação mais competitiva no esporte. Ele afirmou: "Fica todo mundo admirando: ´Ah, quantas medalhas ganharam os EUA, quantas medalhas ganhou Cuba!´. Mas é que eles investem, e nós ficamos apenas apostando na bravura, no heroísmo e na competência individual de nossas atletas." Lula ressaltou que os atletas brasileiros precisam de quadras e pistas para treinar. Citou vários times de futebol e falou da importância de cada um, arrancando aplausos dos presentes, entre os quais o ministro do Esporte, Orlando Silva. Depois, disse que, antes do seu governo, se utilizava o argumento de que "os bons times são mal administrados, nem todos os times têm dirigentes sérios, e, portanto, o time que se arrebente. Quem é dirigente esportivo, aqui, sabe que esse é o discurso feito neste país, porque, de vez em quando, predomina não a racionalidade, mas a hipocrisia no discurso político." O presidente afirmou também que é preciso estimular as crianças, que hoje são mais de 1 milhão praticando esporte no Brasil. "É fazendo um bom jogo Pan Americano (em 2007) que a gente vai-se cacifar para fazer bem as Olimpíadas e a Copa do Mundo no Brasil em 2014, que é o que se deseja. Se ficar apenas mostrando miséria, ninguém vai fazer Olimpíada aqui, vão falar que o Brasil tem muito crime, muita criança de rua, ninguém vai fazer copa do mundo aqui, porque os estádios estão muito quebrados. Nossa obrigação é mostrar que temos que temos competência." O presidente destacou o fato de ser o esporte uma manifestação cultural "enraizada" no Brasil. E fez um apelo ao Congresso para que conclua a aprovação do projeto de criação da Timemania, a loteria cuja arrecadação deverá beneficiar o setor esportivo. Disse que essa loteria será "um novo marco para que os clubes se organizem". Ao destacar a importância da "Timemania", Lula disse: "Se os times atrasavam um ano (o pagamento das dívidas com o governo), a culpa era do time; se atrasavam dois anos, a culpa (ainda) era do time; mas, se atrasavam mais - três anos, por exemplo - a culpa passa a ser do governo, que não teve coragem de cobrar no primeiro ano em que ele atrasou." E completou: "Aí, fica aquela coisa - o governo finge que cobra, os times fingem que pagam. Todo mundo engana a todo mundo, e a dívida vai crescendo."

Agencia Estado,

04 Maio 2006 | 21h55

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