MLB aproveita melhor centro de treinamento da América do Sul para revelar brasileiros

Inaugurada neste ano, Academia MLB Brasil já começou a render frutos para o País e para a liga

Rafael Pezzo, O Estado de S.Paulo

15 Maio 2017 | 07h00

O centro de treinamento em Ibiúna foi construído pela Yakult em 1999 e cedido à Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol (CBBS) logo em seguida, se tornando sede de todas as categorias da seleção nacional. Além disso, desde 2000, a entidade comanda no local a Academia CBBS, onde recebe os principais atletas do País para treinos durante o ano inteiro. 

O primeiro contato da confederação com a Major League Baseball (MLB) aconteceu em 2005, após a saída do beisebol do cronograma olímpico e, consequentemente, a suspensão da verba pela Lei Angelo-Piva. "Falamos com o pessoal da MLB e oferecemos nosso espaço. Eles ficaram encantados com a estrutura e começaram a investir", conta Jorge Otsuka, presidente da CBBS.  

A partir de 2011, a Major League passou a realizar anualmente no CT os Elite Camps, acampamentos de duas semanas de duração para meninos de 13 a 17 anos com treinos comandados por ex-jogadores e técnicos da própria liga norte-americana. 

"Em 2016, fizemos o sexto e último camp e estudamos uma maneira de evoluir, deixar o projeto ainda mais sério. Então, surgiu a ideia de entrar nas operações do dia a dia dos atletas", explica Caleb Santos-Silva, coordenador de desenvolvimento internacional de beisebol da MLB. 

No início deste ano, as duas entidades realizaram peneiras em Ibiúna, Marília e Londrina e selecionaram 32 garotos, sendo que 11 deles são financiados integralmente pela MLB. Já os outros 21, aprovados pela CBBS, arcam com os próprios custos, de cerca de R$ 1,600 por mês. "As bolsas cobrem escola particular, treinamento, equipamentos, estadia, alimentação e fisioterapia", detalha Otsuka. 

ESTRUTURA

Instalado em uma área de 220 mil m², o CT de Ibiúna conta com três campos oficiais, alojamento para 40 atletas, cozinha para 150 pessoas e áreas destinadas para treinos específicos de arremessos e rebatidas.

Segundo Caleb, a MLB precisou realizar somente pequenas melhorias no local, como replantio de grama e trocas de aparelhos de musculação. Algumas outras pequenas reformas, como dos bancos de reservas e em outro campos, foram possíveis após uma doação feita por Luiz Gohara, jogador brasileiro que atua nas categorias de base do Atlanta Braves. "O espaço em Ibiúna é único na América do Sul e tem potencial para ser ainda mais adequado para treinamentos de alto rendimento."

Além da Academia, a MLB também comanda outras atividades no CT, como cursos de capacitação de técnicos, realizado em abril, e de árbitros, planejado para o segundo semestre. "Estas ações deverão melhorar ainda mais o nível do beisebol brasileiro", diz Caleb. 

RETORNO 

No último dia 9, Christian Rummel Pedrol, de 16 anos, assinou contrato de sete anos com o Seattle Mariners. Ele foi o primeiro a sair direto da Academia para a MLB. Seattle, por sinal, é a franquia que mais tem acreditado no potencial brasileiro, e Pedrol é o oitavo jogador nativo a se transferir para o clube. Atualmente, Thyago Vieira é o único representante do País nos times afiliados aos Mariners na Minor League Baseball, as categorias de base da MLB, também conhecidas como Ligas Menores.

Além de Pedrol e Pardinho, outros jogadores devem deixar o País a partir de 2 de julho, quando é aberta a janela de contratações de jovens estrangeiros. Entre os destaques estão Heitor Tokar, Victor Coutinho e Victor Watanabe.

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